Equador inicia operação militar com EUA e expulsa embaixador de Cuba

Após reunião com o Comando Sul, governo Noboa inicia operações com os EUA contra o narcotráfico e declara persona non grata toda a missão diplomática cubana em Quito

Foto: Reprodução

O governo do Equador deu nesta quarta-feira (4) novos sinais de alinhamento à política de segurança dos Estados Unidos na América Latina.

Em poucas horas, Quito confirmou o início de operações conjuntas com as Forças Armadas norte-americanas, supostamente contra o narcotráfico e anunciou a expulsão do embaixador de Cuba e de todo o corpo diplomático da ilha no país.

Foi expulso o embaixador de Cuba em Quito, Basilio Antonio Gutiérrez García, e todo o pessoal diplomático da missão cubana no país. 

A decisão foi comunicada por meio de nota do ministério das Relações Exteriores e Mobilidade Humana do Equador, que concedeu prazo de 48 horas para que os diplomatas deixem o território nacional.

A chancelaria equatoriana diz que a medida foi tomada com base no artigo 9 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que permite a um país declarar diplomatas estrangeiros persona non grata. O governo, no entanto, não apresentou publicamente os motivos da decisão.

Em comunicado oficial, o ministério das Relações Exteriores de Cuba classificou a medida como “arbitrária e injustificada” e afirmou que o pessoal diplomático da ilha em Quito cumpriu “estritamente” as leis e regulamentos equatorianos, sem interferir nos assuntos internos do país.

Havana também afirmou que a decisão ocorre em um contexto de aumento das pressões dos Estados Unidos sobre governos da região para que se somem à política de hostilidade contra a ilha. 

Segundo a chancelaria cubana, a medida foi tomada poucos dias antes de uma cúpula convocada em Miami, prevista para 7 de março, com a participação de governos latino-americanos alinhados a Washington.

Operações no Equador seguem a cartilha de Trump para a América Latina

As ações foram divulgadas após reunião entre o presidente Daniel Noboa e o comandante do Comando Sul dos EUA, general Francis Donovan. Segundo o comando militar americano, as operações miram organizações classificadas pela Casa Branca como “terroristas”.

De acordo com autoridades dos Estados Unidos, soldados das Forças Especiais americanas estão assessorando tropas equatorianas em incursões contra instalações suspeitas de envio de drogas e outros locais ligados ao narcotráfico. 

O apoio inclui planejamento operacional, inteligência e logística, embora, segundo Washington, os militares dos EUA não participem diretamente das operações em solo.

Em nota, o Comando Sul afirmou que as ações são “um poderoso exemplo do compromisso dos parceiros na América Latina e no Caribe de combater o flagelo do narcoterrorismo”. O Ministério da Defesa do Equador não detalhou as operações e afirmou que as informações são reservadas para não prejudicar futuras ações.

Pelas redes sociais, Noboa afirmou que o país inicia “uma nova fase contra o narcoterrorismo e a mineração ilegal” e que, ao longo de março, realizará operações conjuntas com aliados regionais, “incluindo os Estados Unidos”.

A cooperação militar ocorre poucos meses depois de os equatorianos rejeitarem em referendo uma proposta do governo para permitir o retorno de bases militares estrangeiras ao país. A iniciativa, defendida por Noboa como instrumento para ampliar a colaboração internacional no combate ao narcotráfico, foi derrotada nas urnas por cerca de 60% dos eleitores.

O anúncio das operações também ocorre após a divulgação da nova estratégia regional de segurança do governo Donald Trump para a América Latina, que busca ampliar sua zona de influência em países com governos aliados. 

Na região, presidentes como Javier Milei, na Argentina, José Antonio Kast, no Chile, e governos alinhados em países como Paraguai e Peru têm reforçado aproximação com Washington em pautas ligadas à Defesa, narcotráfico e migração.

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