Anvisa manda recolher água Crystal com a mesma bactéria do caso Ypê

Lote com 374 mil garrafas distribuídas no DF, Goiás, Tocantins e SP foi contaminado com Pseudomonas aeruginosa; investigação segue em andamento.

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quarta-feira (3) o recolhimento de um lote da água mineral natural sem gás Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras do produto. A medida suspende também a comercialização, distribuição e uso das unidades afetadas enquanto permanecerem as investigações. Foram cerca de 374 mil garrafas de 500 ml que chegaram a consumidores no Distrito Federal, em Goiás, no Tocantins e em municípios do interior de São Paulo.

Essa bactéria é a mesma encontrada em produtos da marca Ypê em 2025, quando lotes de detergente foram alvo de investigação sanitária. Os dois episódios envolvem a Pseudomonas aeruginosa, mas isso não significa que tenham a mesma origem. A bactéria é relativamente comum na natureza e pode estar presente em diferentes ambientes úmidos — água, solo, pias, ralos, reservatórios e equipamentos industriais. O que os dois casos têm em comum é a falha no controle sanitário e, acima de tudo, a necessidade de fiscalização permanente sobre o que chega à mesa da população.

Como saber se você tem o produto afetado

O lote alvo da medida é identificado como P 200126. Na embalagem, a marcação impressa no corpo da garrafa aparece como LZ1 VAL 200127 3 P 200126, com validade até 20/01/2027.
As garrafas foram distribuídas para os seguintes estados e municípios:

  • Distrito Federal — 230.443 garrafas
  • Goiás — 66.768 garrafas: Águas Lindas de Goiás, Luziânia, Novo Gama, Valparaíso de Goiás, Cidade
  • Ocidental, Santo Antônio do Descoberto, Planaltina de Goiás, Cristalina, Formosa, Campos Belos, Alexânia, Abadiânia e Catalão
  • Tocantins — 1.439 garrafas: Arraias, Combinado e Novo Alegre
  • São Paulo — 75.750 garrafas: Sorocaba, Itapetininga, Itu, São Roque e Tatuí

O que fazer se tiver o produto em casa

Caso você identifique o lote nas suas garrafas:

  1. Interrompa imediatamente o consumo
  2. Entre em contato com a empresa pelo telefone 0800 061 5000 ou pelo e-mail [email protected] para solicitar substituição ou reembolso

Uma bactéria comum, mas não inofensiva

A Pseudomonas aeruginosa é classificada como uma bactéria oportunista. Para a maior parte da população adulta saudável, o contato com ela costuma não provocar consequências graves. O problema está em quem já tem a saúde fragilizada.

Pessoas com imunidade comprometida, pacientes hospitalizados, portadores de doenças crônicas ou em uso de medicamentos imunossupressores são os grupos mais vulneráveis. Nesses casos, a bactéria pode provocar infecções de ouvido — como a conhecida “otite do nadador” —, lesões na pele, infecções oculares, problemas urinários e respiratórios. Nas situações mais graves, ela pode atingir a corrente sanguínea, os pulmões, os ossos, as articulações e até as válvulas cardíacas.

Um ponto que preocupa especialistas é a existência de cepas resistentes a determinados antibióticos, o que pode tornar o tratamento mais difícil em casos severos. Não à toa, pacientes internados em hospitais são considerados um dos grupos de maior risco.

A presença da bactéria em produtos industrializados geralmente está associada a falhas de controle sanitário ou contaminações pontuais durante processos de captação, armazenamento, envase, manipulação ou transporte.

A vigilância que protege

A contaminação foi detectada por meio de coleta de rotina realizada pela Diretoria de Vigilância Sanitária do Distrito Federal. O Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) identificou a bactéria em amostra do produto, resultado confirmado por contraprova prevista nos procedimentos do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, gerando o Laudo de Análise Fiscal Definitivo nº 76.CP.0/2026. Foi esse processo público, gratuito e estatal que impediu que o problema passasse despercebido.

Com a confirmação, a vigilância sanitária local determinou a interdição do lote e comunicou o caso à Anvisa, que concluiu que o produto estava em desacordo com a legislação sanitária vigente, incluindo normas que estabelecem padrões microbiológicos para alimentos e águas envasadas.

O que diz a empresa

A Mineração Bom Jesus, fabricante responsável pelo lote e integrante do Sistema Coca-Cola — detentor da marca Crystal —, afirma ter iniciado imediatamente o recolhimento junto às distribuidoras assim que foi notificada. Segundo a empresa, foram realizadas análises em mais de 300 amostras no processo e nos produtos após a notificação, todas com resultados negativos para microrganismos indicadores de contaminação. A Mineração Bom Jesus estima que cerca de 99,2% das unidades do lote já não estejam disponíveis para venda.

A empresa chama a medida de “recolhimento preventivo e voluntário” e afirma colaborar com a Anvisa e os órgãos de vigilância sanitária. A investigação sobre as causas da contaminação segue em andamento.

Vale lembrar: quando uma grande corporação anuncia que o problema “já está resolvido” e que quase nada chegou ao consumidor, é exatamente o trabalho silencioso do sistema público de vigilância sanitária que torna esse discurso verificável — ou não. Sem o Lacen-DF, sem a DivisaDF, sem a Anvisa, a garrafa contaminada simplesmente teria continuado nas prateleiras. A proteção da saúde pública não vem do voluntarismo das empresas. Vem do Estado funcionando.

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com agências

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