O Sirius e a soberania científica: o Brasil no protagonismo do futuro
A expansão do acelerador fortalece a capacidade nacional de inovação, impulsiona a neoindustrialização e amplia a autonomia brasileira em áreas estratégicas.
Publicado 26/06/2026 07:41
O Brasil vive um novo momento em sua trajetória científica e tecnológica. A inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do Sirius, em Campinas (SP), em maio, representou mais um passo decisivo e firme na construção de um país que aposta no conhecimento, na inovação e na soberania como pilares inegociáveis do desenvolvimento nacional.
O Sirius não é apenas a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída em nosso solo. Ele simboliza uma escolha política e estratégica: a de investir em ciência de ponta para enfrentar os desafios concretos da sociedade, fortalecer a nossa indústria, ampliar a capacidade nacional de inovação e garantir autonomia tecnológica em áreas vitais para o futuro da nossa gente.
A viabilização do Sirius resultou de uma convergência de esforços políticos, técnicos e regionais que moldaram o projeto. A decisão política inicial foi consolidada nos primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa base institucional foi pavimentada anos antes pelo físico Sérgio Rezende que, como Ministro da Ciência e Tecnologia, garantiu os primeiros aportes orçamentários cruciais para o pré-projeto de engenharia. Complementando o suporte federal, a infraestrutura territorial foi viabilizada pelo então governador Geraldo Alckmin, responsável por decretar a desapropriação e a cessão do terreno em Campinas que permitiu a construção do gigantesco anel de armazenamento.
Leia também: Ciência, autonomia e emancipação: o caminho para derrotar a violência de gênero
Recentemente adicionamos mais um capítulo a essa história. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tivemos a honra de inaugurar as linhas Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê. São estruturas de vanguarda que ampliam significativamente a capacidade de pesquisa em áreas estratégicas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia, telecomunicações, semicondutores e materiais avançados.
Com essa entrega, o Brasil consolida sua posição no restrito grupo de quatro nações que dominam a tecnologia de luz síncrotron de quarta geração, isso significa que ele opera no limite absoluto da tecnologia mundial para esse tipo de equipamento com a Suécia, China e Estados Unidos.
Na prática, o Sirius funciona como um supermicroscópio capaz de revelar estruturas atômicas e moleculares com altíssimo grau de precisão. Essa capacidade permite investigar desde proteínas e biomoléculas até minerais críticos, novos medicamentos, baterias e componentes eletrônicos de nova geração. Isso se traduz, diretamente, em mais capacidade nacional para desenvolver vacinas, tratamentos inovadores, soluções para a transição energética e a agricultura sustentável, além de chips e materiais fundamentais para a nossa neoindustrialização.
A segunda etapa do Sirius, viabilizada com recursos do Novo PAC, marca uma nova fase dessa infraestrutura estratégica. A linha Tatu, por exemplo, será a primeira do mundo em uma fonte de quarta geração a operar na faixa dos terahertz, abrindo fronteiras inéditas em materiais quânticos e sistemas biológicos. Já a linha Sapê fortalece as pesquisas em semicondutores e supercondutores, tema central para a inserção soberana do Brasil nas cadeias globais de valor da indústria eletrônica.
Leia também: Terras raras: caminho para soberania e inovação no Brasil
Dando continuidade a esse avanço, a linha Quati amplia a investigação em minerais críticos e terras raras, recursos altamente estratégicos para a economia de baixo carbono e essenciais para a transição energética. Ao mesmo tempo, a linha Sapucaia impulsiona estudos em nanopartículas, polímeros e terapias avançadas na área da saúde, além de estreitar parcerias internacionais de peso, como a nossa histórica cooperação científica com a China.
O diferencial mais profundo do Sirius é que essa excelência está diretamente conectada às necessidades do povo brasileiro. Ele atende pesquisadores do Brasil e do exterior em estudos voltados à saúde pública e à sustentabilidade, fortalecendo a capacidade do Estado de transformar ciência em soluções reais para a vida das pessoas.
Essa mesma visão orienta o lançamento da pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, uma iniciativa conjunta entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério da Saúde. O programa nasce com o objetivo claro de reduzir a nossa dependência externa e fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, garantindo a produção nacional de biomoléculas, dispositivos médicos e Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) voltados ao nosso Sistema Único de Saúde (SUS). O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) reúne as condições multidisciplinares únicas para liderar esse processo.
Outro motivo de orgulho é o elevado índice de conteúdo nacional do Sirius: entre 85% e 90% dos componentes do empreendimento foram produzidos ou desenvolvidos por empresas no Brasil. Isso impulsionou cadeias industriais de alta precisão, gerou empregos qualificados e formou recursos humanos de excelência, provando que o investimento em ciência é um motor poderoso para o crescimento econômico.
Leia também: Tecnologias quânticas: Soberania e inovação para o futuro do Brasil
Desde o primeiro dia, o governo do presidente Lula assumiu o compromisso inabalável de reconstruir e fortalecer o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. No governo Lula, o apoio à Ciência e ao conhecimento é um eixo Transversal presente em todas as suas iniciativas. A recomposição do FNDCT, a valorização das universidades e dos institutos de pesquisa e os investimentos estruturantes do Novo PAC são provas desse esforço.
O Brasil viu na pandemia o estrago feito pelo governo anterior ao desprezar a ciência, com a morte de 700 mil brasileiros. O Brasil está vendo a diferença que faz ter um governo que acredita que os brasileiros podem ser os melhores cientistas do mundo, que podemos ter indústrias de ponta, empregos de qualidade, e termos soberania sobre o nosso destino.
O Sirius é a expressão viva dessa visão de futuro que estamos construindo. Um país soberano e democrático precisa dominar o conhecimento. Precisa valorizar seus pesquisadores, investir em seus laboratórios e transformar a inovação em bem-estar social e desenvolvimento sustentável. Ao expandir o Sirius, o Brasil demonstra, de forma altiva, que está pronto para ocupar o seu lugar de protagonismo nas grandes transformações científicas do século 21.