MST e Inimigos do Batente homenageiam Wander Geraldo

Roda “O Samba da Minha Terra” celebra nomes históricos do samba paulistano e reafirma a união entre cultura popular e luta social no Espaço Cultural Elza Soares.

Wander Geraldo | Foto: arquivo

São Paulo (SP) – A edição de novembro da série “O Samba da Minha Terra”, realizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pelo grupo Inimigos do Batente, presta uma homenagem especial a três representantes do samba paulistano: Wilson Sucena, Chico Médico e Wander Geraldo. O evento acontece no próximo sábado (1º/10), no Espaço Cultural Elza Soares, com entrada gratuita e um grande almoço de confraternização.

Após cinco edições já realizadas, a roda celebra o samba como patrimônio da cultura popular, reunindo músicos, compositores e o público em torno de boa comida, conversa e resistência. “O Samba da Minha Terra” é também um ato de valorização dos artistas enquanto trabalhadores da cultura — um gesto político de flores em vida.

Wander Geraldo: samba e militância

Entre os homenageados, Wander Geraldo se destaca por unir o samba à militância política. Celebrando 40 anos de trajetória na Unidos do Peruche, ele é integrante da ala de compositores da escola e ex-intérprete do bloco Unidos do Pé Grande, da Zona Sul. Integra também a direção do PCdoB São Paulo, do qual foi presidente em dois períodos.

Além da carreira artística, Wander foi uma das primeiras lideranças a articular o movimento dos sambistas paulistanos em defesa do reconhecimento do samba como valor cultural e da proteção dos trabalhadores da cultura popular. Oriundo da luta por moradia, teve papel essencial ao lado de nomes como Benedito Cintra, Nivaldo Santana e Thereza Santos. Sua trajetória simboliza o elo entre a batida do tamborim e as lutas sociais que moldam a cidade.

Ecos de mestres e discípulos

A cantora Railídia, uma das fundadoras dos Inimigos do Batente, relembra as lições dos homenageados: “A roda de samba do Canto Brasileiro, conhecido como bar do Bilú, foi um dos lugares onde comecei a dar canja no final dos anos 90. Ele começou a me chamar pra dar canja. Foi meu professor e me legou um repertório que me influenciou profundamente e se reflete até hoje nas rodas dos Inimigos do Batente. Sucena também sempre me impactou pelo repertório e pela sua forma de deixar a roda no ritmo dele. Tenho muitas histórias e parcerias com esse trio: ao lado de Wander Geraldo, por exemplo, fui intérprete convidada por ele em um dos anos em que o bloco Unidos do Pé Grande desfilou no carnaval paulistano. Sou uma aprendiz do samba e desses bambas. Uma honra.”

Samba militante

Segundo Fernando Szegeri, também fundador dos Inimigos do Batente, o projeto é um encontro entre cultura e luta social: “O Espaço Cultural Elza Soares tem muita afinidade com o samba e, de outro lado, a roda dos Inimigos do Batente sempre esteve em sintonia com as lutas populares. O Samba da Minha Terra celebra essa parceria e se apresenta como uma opção cultural para o público de São Paulo e promove a reflexão sobre as lutas e desafios dos trabalhadores e trabalhadoras do samba.”

Desde a primeira edição, o projeto já homenageou nomes como Fabiana Cozza, Toninho Nascimento, Didú Nogueira e a roda Berço do Samba de São Mateus.

SERVIÇO

O que: “O Samba da Minha Terra”- Homenagem a Wilson Sucena, Chico Médico e Wander Geraldo
Quando: 1º de novembro (sabádo)
Que horas: das 12h às 18h
Onde: Espaço Cultural Elza Soares – Alameda Eduardo Prado, 474 – Campos Elíseos
Entrada: gratuita. Almoço e bebidas vendidas no local

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