Brasil

16 de dezembro de 2016 - 14h28

Em dezembro, o carimbó do Pará segue vivo e festeiro em Santarém Novo


O carimbó no barracão da Irmandade de São Benedito em Santarém Novo (PA) O carimbó no barracão da Irmandade de São Benedito em Santarém Novo (PA)
O Carimbó de São Benedito existe em Santarém Novo desde o século XIX. A tradição é preservada pela Irmandade do Carimbó de São Benedito. A comemoração é do povo da cidade, que durante 11 dias dança, come, bebe, canta, toca e homenageia o santo protetor.

“São 11 dias e noites de festa, com uma complexa programação envolvendo alvoradas (foto), levantação e derrubação de mastro, ladainhas, cortejos, festas de barracão e todo um patrimônio cultural esculpido pelo tempo e preservado pela oralidade comunitária”, explicou Isaac Loureiro, ativista cultural, pesquisador e presidente da Irmandade do Carimbó de São Benedito. 

O carimbó é um batuque do norte do país de feição indígena mas marcado pela miscigenação das etnias que formaram o povo brasileiro. Em Santarém Novo o batuque é feito pelo tambor curimbó (foto), de produção artesanal do mestre Sabá, maracás e reque-reque. Na festa, que vai até o amanhecer, só se dança o carimbó de terno e gravata. Também não há instrumentos de sopro, o que dá à manifestação uma sonoridade de predominância percussiva.

O barracão da irmandade é onde se realiza a festa ao som do conjunto “Os Quentes da Madrugada”. Mestre Ticó (foto) é cantador do grupo e atual Diretor de Carimbó da comunidade. Ele começou no carimbó aos 12 anos levado pelo pai que cantava e tocava.

No documentário Pau & Corda – Histórias de Carimbó, de Robson Fonseca, Ticó relembra com orgulho os lugares do Brasil onde Os Quentes se apresentaram. “São Paulo, Rio, Niterói, Brasília, Fortaleza, duas vezes. Nunca esperei na minha vida eu ser privilegiado lá fora”, contou à equipe do documentário produzido pela TV Cultura do Pará. 

O filme mostra Ticó também no seu ofício de preparar a farinha. Assim como ele, os demais integrantes do grupo são trabalhadores que atuam na roça, tirando caranguejo ou na pesca. 

A energia e a força criativa dessa manifestação, onde não pode faltar o beju e a gengibirra, poderá ser confirmada nestes 11 dias de festa em Santarém Novo, no Pará. Um pouco da atmosfera está no cd “Carimbó da Irmandade de São Benedito – Os Quentes da Madrugada”, produzido em 2005 pelos músicos e produtores de projetos da cultura popular Renata Amaral e André Magalhães. Integrantes do grupo A Barca, criado em São Paulo, os dois vivenciaram de perto essa manifestação do Brasil indígena e caboclo. 

Há dois anos, o carimbó passou a ser reconhecido como patrimônio cultural imaterial brasileiro após ser aprovado por unanimidade, em Brasília, pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, integrado por representantes do governo federal e da sociedade civil organizada. Isaac Loureiro coordenou a campanha pelo registro.

O cd é um projeto da Maracá Produções é pode ser encomendado pelo e-mail maraca6@gmail.com. Custa 25 reais.

Os Quentes da Madrugada

Preparação do Beju


Gengibirra, bebida à base de cachaça e gengibre


Confira abaixo o documentário “Pau & Corda – Histórias de Carimbó” que traz, além de Santarém Novo, histórias de grupos de carimbó de Belém e dos municípios de Curuçá e Marapanim.
 


Do Portal Vermelho

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