Unaí, 3 anos: Manifestações lembram chacina; CUT lança nota

Os três anos da chacina de Unaí serão lembrados neste sábado (27/11), durante ato público em Belo Horizonte. O crime ocorreu em 28 de janeiro de 2004, quando quatro membros da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) foram mortos, em meio a investigações de&n

A chacina ganhou repercussão nacional e internacional – mas até hoje os nove acusados de envolvimento na chacina não foram julgados. Por isso, parentes, amigos e trabalhadores exigem punição rápida e rigorosa dos culpados. As vítimas foram os auditores fiscais Eratóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares Lage, Nelson José da Silva e o motorista Ailton Pereira de Oliveira.


 


No domingo (28), em Unaí, outro ato público vai marcar os três anos da morte da equipe da DRT. No município, próximo a Brasília, a manifestação será realizada às 11 horas, no local do crime, na estrada de terra próxima ao Trevo das Sete Placas. Em nota pública lançada na sexta, a CUT criticou a impunidade e cobrou justiça (veja a íntegra da nota abaixo).


 


Também o presidente da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho de Minas Gerais, José Augusto de Paula Freitas, manifestou indignação com a impunidade dos acusados. “Não cabe a mim comentar as decisões da Justiça, mas quero novamente aqui manifestar a minha indignação com relação ao caso”, disse Freitas.


 


Justiça lenta
“Defendo, inclusive, se for necessário, alteração no Código Civil brasileiro, que hoje favorece, de alguma maneira, manobras”, acrescentou Freitas, em entrevista coletiva na qual reclamou da lerdeza da Justiça.


 


Atualmente, o processo está no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília. Desde dezembro do ano passado, aguarda decisão do vice-presidente, desembargador Carlos Olavo, sobre a admissibilidade dos recursos e razões apresentados pela defesa dos réus. Estes desejam recorrer com recursos especiais e extraordinários ao Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, respectivamente.


 


Segundo informou o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, dos nove suspeitos, três estão em liberdade, beneficiados por habeas corpus. São eles: Antério Mânica, prefeito de Unaí, o irmão dele, Norberto Mânica, e o empresário José Alberto Costa.


 


O crime
No dia 28 de janeiro de 2004, João Batista Soares Lage, Eratóstenes de Almeida Gonçalves, Nelson José da Silva e Aílton Pereira de Oliveira, foram assassinados na rodovia MG-188, no trevo conhecido como Sete Placas, que dá acesso aos municípios de Unaí, Bonfinópolis de Minas.


 


Eles foram vítimas de uma emboscada durante fiscalização de rotina contra o trabalho escravo. Os auditores foram averiguar denúncias de exploração de mão-de-obra em fazendas de plantação de feijão em Unaí.


 


Um dos acusados, Norberto Mânica, um dos maiores produtores de feijão do mundo, foi condenado por unanimidade pelo Tribunal Regional do Trabalho/MG, junto com os irmãos Celso e Luiz Antônio, por manterem cerca de 2 mil trabalhadores em situação degradante em suas fazendas


 


Protestos
Desde então, entidades representativas dos trabalhadores assassinados e parentes das vítimas promovem mensalmente manifestações exigindo o julgamento dos acusados do assassinato.


 


Um dos acusados de ser o mandante do crime, Antério Mânica, foi eleito prefeito de Unaí, enquanto estava preso acusado pelos assassinatos. Ele adquiriu, assim, o direito de ser julgado pelo Fórum Especial.


 


Em novembro do ano passado, Norberto Mânica, irmão do prefeito, conseguiu um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça e aguarda o julgamento em liberdade.


 


Leia a íntegra da nota da CUT sobre os três anos da chacina


 


Nota da CUT: Crime de Unaí insiste em manter o Brasil nas trevas


 


No próximo domingo completam-se três anos do assassinato de três fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho em Unaí, sem que os responsáveis tenham sido julgados. É uma vergonhosa data para o Brasil. Enquanto isso, protegidos pelo rótulo de suspeitos, pessoas ligadas ao agronegócio daquela região não apenas escapam da punição pelo crime, como podem continuar planejando o uso de mão-de-obra escrava em suas plantações. Essa lentidão para identificar claramente os responsáveis e puni-los estimula outros seres abomináveis, em diversas localidades, a manter uma parte de nosso país mergulhada nas trevas.


 


A CUT quer justiça e espera que o combate ao trabalho indigno seja uma bandeira de toda a sociedade.


 


Artur Henrique


 


Presidente nacional da CUT