Como os 'imigrantes' do Brasil à Rússia invadiram Hollywood
Nos anos 60, foi a onda francesa. Na década de 70, a grande geração de diretores americanos. Agora, são cineastas da Índia, da Rússia, da Alemanha e, claro, do Brasil tomando conta de Hollywood. Os estúdios estão cada vez mais de olho em novos nomes vi
Publicado 03/03/2008 19:32
“Sempre tivemos diretores estrangeiros em Hollywood”, ressalva um dos managers da agência United Artistas Independent, Rich Klubeck, em entrevista ao Hollywood Reporter. “A diferença é que agora eles ganharam terreno em grandes produções dos estúdios.” Para comprovar, basta listar as recentes produções de grande orçamento e com estrelas no elenco. Salta aos olhos os créditos de direção assinados por nomes pouco conhecidos de origens diversas.
O mais novo exemplo é o filme da Universal Pictures com Angelina Jolie, que estréia dia 27 de junho. Wanted – Procurado, adaptado de uma HQ, é dirigido por um russo até então estranho em Hollywood. Timur Bekmambetov, de 46 anos, está em sua primeira produção americana após sucesso com Guardiões da Noite (2004) e Guardiões do Dia (2006) em seu país.
E mal entrou na maior indústria cinematográfica do mundo e já assina como produtor na animação 9, ao lado de Tim Burton. O desenho de temática fantástica e pós-apocalíptica – originalmente um curta-metragem – ganha versão em longa no fim do ano com vozes de Jennifer Connelly e Elijah Wood. Nada mal para o russo…
Nosso Fernando Meirelles tem seu novo longa-metragem em língua inglesa, Blindness, ansiosamente aguardado por Hollywood e sua distribuidora Miramax. Nem se sabe o resultado nas telas e na bilheteria, e o diretor – projetado mundialmente com Cidade de Deus – já é cotado para rodar o filme da Paramount By any means necessary, reiniciando a franquia do personagem Jack Ryan.
Meirelles e Bekmambetov são apenas dois destaques em meio à tendência de Hollywood em importar mais e mais diretores estrangeiros para grandes projetos. Para o agente da ICM Nathan Ross, que descobriu o diretor russo, o assédio dos estúdios americanos tem razões econômicas. “Os produtores podem fazer filmes mais caros e melhorar seu elenco pagando cachês milionários a astros após economizar no salário dos diretores”, contou ele ao Hollywood Reporter.
O diretor indiano Vinod Chopra é mais diplomático. “Cineastas estrangeiros chegam com perspectivas mais frescas e fazem orçamento menos extravagantes que os diretores americanos”, afirmou o indiano.
Um dos diretores de uma das maiores agências de Hollywood, a WMA, acredita que talento e economia são motivos que andam juntos na hora de escolher cineastas de fora. “Se você tem um orçamento normal, sem extravagância, diretores estrangeiros são o caminho para que este filme faça diferença e se destaque”, contou Mike Simpson, da WMA, ao Hollywood Reporter.
A lista de diretores estrangeiros em atividade em Hollywood não pára. O franco-canadense Jean-Marc Vallee nem precisou ter seu filme C.R.A.Z.Y. estreando em salas americanas para entrar no projeto The young Victoria, produzido por ninguém menos que Martin Scorsese e com Emily Blunt no papel da jovem rainha. Em Sundance, foi confirmado o nome do espanhol Nacho Vigalondo para dirigir a versão em língua-inglesa de Timecrimes, com produção de Steve Zaillian.
O islandês Baltasar Kormakur rodará Run for her life. Ele se mostra entusiasmado, mas lembra que diretores não-americanos devem tomar cuidado. “Chegam muitos roteiros péssimos para os estrangeiros”, disse ele ao Hollywood Reporter. “Quem não tiver paciência pode acabar fazendo Hora do Pesadelo 13“, brincou ele.
O alemão Christian Alvart (do obscuro Curiosity & the cat) é o escolhido para a grande produção da Paramount Case 39, um thriller estrelado por Renee Zellweger. O francês Xavier Gens, que já agradou a Fox com Hitman, prepara agora o filme de grande orçamento chamado Vanikoro, com as feras Viggo Mortensen e Philip Seymour Hoffman. A dinamarquesa Susanne Bier, de Coisas que Perdemos pelo Caminho, com Benício Del Toro e Halle Berry, volta aos Estados Unidos para rodar outra versão de seu filme Open hearts (2002) com atores e dinheiro de Hollywood.
Há ainda aqueles estrangeiros que chegaram há muito tempo à grande indústria e ficaram. O alemão Roland Emmerich, de Independence Day, já garantiu a direção de 2012, outro filme de ficção científica de grande orçamento da Columbia Pictures. O holandês Paul Verhoeven, de Robocop e Instinto Selvagem, está em negociações para vários projetos em Hollywood, como The Thomas Crown 2, com Pierce Brosnan, e Azazel, com Milla Jovovich.