Deputado defende “tática de guerrilha” contra privatização da Cesp
O deputado federal Vander Loubet (PT-MS) defendeu táticas de guerrilha para evitar a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), prevista para o dia 26 deste mês por R$ 6,5 bilhões. A defesa foi feita durante a participação na audiência p
Publicado 03/03/2008 20:12
Defendeu o envolvimento da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e das bancadas de São Paulo e Mato Grosso do Sul para obrigar o Governo paulista a recuar da decisão de vender a estatal. O parlamentar prometeu ainda marcar reuniões com o Ibama e a Aneel para debater as compensações ambientais e sociais e a venda da CESP.
Ressaltou que a estatal é estratégica para o desenvolvimento da região. Como exemplo, citou que a Petrobras responde por 50% dos investimentos previstos no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).
Para o petista, a venda está na contramão da história e do atual momento do Brasil. Loubet lembrou ainda da atuação como secretário estadual de Governo, na gestão de Zeca do PT, que resultou na assinatura de acordos de compensação com a estatal paulista. Mas frisou que os benefícios concedidos aos municípios paulistas foram três vezes superiores aos obtidos pelos sul-mato-grossenses.
O proponente da audiência, o deputado estadual Akira Otsubo (PMDB) disse que o objetivo é poder resolver essas pendências antes da companhia ser privatizada. “Municípios e o Estado perderão com a privatização, tanto na área ambiental, social e econômica”, ressaltou.
Um dos temores é a perda do controle das tarifas, já que privatizações em diferentes setores tiveram reajustes abusivos como principais efeitos negativos.
Prefeitos, vereadores e lideranças dos municípios impactados pela companhia de energia elétrica acompanham as discussões promovidas pela Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
Privatização insana
A Cesp é a 3ª maior companhia do País, responsável pelas três principais usinas do rio Paraná: de Ilha Solteira, Jupiá e Sérgio Motta, e vende energia para a Enersul. A empresa pode ser vendida em leilão no dia 26 deste mês por R$ 6,5 bilhões.
O presidente do Sindicato Energético de Campinas (SP), Wilson Marques da Silva, foi um dos convidados para o debate e alertou para a queda da qualidade dos serviços, caso a privatização seja confirmada. Como em outros casos, a tendência é a terceirização da mão-de-obra. Segundo ele o problema já é realidade na Cesp, que tinha 37,5 mil trabalhadores em 2005 e hoje tem apenas 12 mil.
Trabalhadores da região de Brasilândia também reclamam da falta de obras de compensação que deveriam ter sido realizadas, após a implantação da Usina Sérgio Motta, mas até agora não foram feitas. A obra acabou, inclusive, com reservas de argila que sustentavam a principal atividade econômica da região: a fabricação de tijolos e telhas.
Entre os participantes da audiência hoje em Campo Grande o tom foi semelhante, a maioria diz não entender como o governo paulista pode pensar em se desfazer de uma empresa com lucro acumulado de R$ 40 bilhões em 10 anos, baixos custos operacionais, preço da energia em crescimento, baixa necessidade de investimentos de capital e baixa necessidade de capital de giro.
O maior ataque foi ao governador José Serra (PSDB), apontado como alguém que insiste numa política de privatização que já se mostrou ser inadequada, com reajustes abusivos em setores privatizados.
Fonte: ALMS