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Aliança imperialista decide intensificar agressão contra Líbia

Os EUA reuniram seus aliados nesta terça-feira (29) em Londres para obter maior respaldo à controvertida intervenção imperialista que lideram na Líbia sob a falsa bandeira da ONU. A conferência adiantou o objetivo do império: derrubar o líder do país, Muamar Kadafi. Agora se quer radicalizar a guerra. A Casa Branca se arvora o direito de armar os rebeldes. A Otan manifesta reservas.

"Ele tem que sair", esbravejou a secretária de Estado da Casa Branca, Hillary Clinton. Ocorre que tal objetivo não tem nada a ver com a polêmica resolução aprovada pelo ONU, que prevê o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea, teoricamente para proteger civis. Mas a realidade dos bombardeios revela o contrário. A agressão imperialista já fez centenas de vítimas civis e até hospitais e escolas foram alvo das bombas “democráticas” e “humanitárias” do chamado Ocidente.

Protesto russo

A ação militar liderada pelos EUA e Otan constitui uma clara violação da resolução da ONU, conforme declarou nesta terça-feira (29), em Moscou, o ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov. A Rússia exige explicações dos países envolvidos perante o Conselho de Segurança.

A resolução prevê, sobretudo, a defesa da população civil, assinalou Lavrov. Mas, de fato, multiplicam-se as notícias de vítimas civis, inclusive na mídia ocidental. EUA, França e Reino Unido devem prestar contas de seu objetivo no país norte-africano, disse Lavrov, que não viajou a Londres para corroborar a estratégia norte-americana.

China contra

Embora tenha se abstido de usar o seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, a China agora também condena a agressão imperialista. O embaixador da China no Brasil, Qiu Xiaoqi, disse segunda-feira (28) que a medida aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, de impor uma zona de exclusão aérea na região, contraria os “princípios internacionais de soberania, integridade, unidade e independência”. Os EUA usaram a resolução como pretexto para recompor o domínio sobre a região e se apropriar do petróleo líbio.

“Lamentamos por este ataque militar porque achamos que a soberania, a integridade territorial da Líbia, a unidade, a independência, têm de ser respeitadas e os países o têm de fazer, de acordo com a carta da Organização das Nações Unidas, baseada nos princípios básicos das leis internacionais”, afirmou Xiaoqi, em entrevista coletiva, em Brasília.

Falsa polêmica

Representantes do governo americano procuraram eludir os verdadeiros objetivos da agressão militar, estimulando uma falsa polêmica na mídia, com os especialistas de plantão afirmando que os “aliados” ainda não tinham definido o objetivo da missão militar. É como dizer que o império não sabe bem o que quer. Rematada bobagem. A estratégia tem a nítida finalidade de dominar uma região rica em petróleo e dar um outro sentido à onda revolucionária que se espraia pelo Oriente Médio e norte da África.

O cinismo de Obama, Clinton e outros líderes imperialistas não tem tamanho. O uso de um peso, duas medidas, transparece no sugestivo silêncio da Casa Branca sobre a brutal repressão promovida pelas ditaduras do Bahrein, Iêmen e Arábia Saudita, no apoio (até o último segundo) a Mubarak no Egito e no veto à proposta de resolução do Conselho de Segurança da ONU condenando as barbaridades cometidas por Israel contra os palestinos.

Cumplicidade da mídia

O bombardeio imperialista conta, todavia, com a cumplicidade da mídia capitalista, que cria uma grande cortina de fumaça para enganar a opinião pública mundial, realizando uma cobertura parcial e ideologizada da guerra civil que estava em curso na Líbia (transformada agora em guerra imperialista), demonizando o líder Kadafi (que até ontem era incensado pelo Ocidente).

Durante o encontro em Londres, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que as ações militares continuarão. Já o ministro italiano Franco Frattini declarou à agência de notícias AFP que os participantes da conferência concordaram de forma unânime que Kadafi deve deixar a Líbia.

O ministro britânico William Hague foi no mesmo diapasão. "Os participantes concordaram que Kadafi e seu regime perderam completamente a legitimidade e serão chamados a prestar contas de suas ações", afirmou Hague. Representantes da oposição a Kadafi também estiveram em Londres hoje.

Kadafi resiste

Mas na Líbia os rebeldes perderam terreno pela primeira vez depois de vários dias de vitórias. Nesta terça-feira (29), após ataques das tropas de Kadafi, os rebeldes foram obrigados a abandonar a cidade de Bin Jawad. As tropas fiéis ao regime atacaram a cidade petrolífera de Ras Lanuf, distante 60 quilômetros, e também fizeram recuar o avanço rebelde rumo a Syrte, cidade natal do líder líbio, de acordo com informações da emissora árabe Al Jazira.

A resistência de Kadafi pode complicar as coisas para o imperialismo, conforme previu Fidel Castro. “Se Kadafi faz honra às tradições de seu povo e decide combater, como prometeu, até o último suspiro, junto aos líbios que estão enfrentando os piores bombardeios que um país jamais sofreu, afundará a Otan e seus criminosos projetos no pântano da ignomínia”.

Da Redação, com agências