Sem categoria

Força Sindical pede afastamento imediato de Palocci

A Força Sindical divulgou nota nesta segunda-feira pedindo o "afastamento imediato" do ministro Antonio Palocci (Casa Civil). A entidade entende que as declarações de Palocci à TV Globo sobre a rápida e obscura acumulação de capital da sua empresa Projeto foram feitas apenas “para cumprir formalidades” e “não foram suficientes para arrefecer o desgaste a que vem sendo submetido o braço direito da atual presidenta.

O documento, assinado pelo presidente da central, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), assinala que os trabalhadores brasileiros têm acompanhando com muita atenção e preocupação o desenrolar da crise na Casa Civil. “O imediato afastamento do ministro só trará benefícios para o país".

Acumulação primitiva

O patrimônio de Palocci se multiplicou em pelo menos 20 vezes entre os anos de 2006 e 2010, período em que ele havia deixado o Ministério da Fazenda e se tornado deputado federal. A rápida acumulação de capital, que envolve milhões de reais, ocorreu através da empresa Projeto, dedicada à consultoria econômica.

A nota assinada por Paulinho diz ainda que "o servidor público de alto escalão deve servir de exemplo e ser pautado pela ética, pela transparência e pela moralidade pública" e que Palocci "tornou-se refém do silêncio, passando a acreditar apenas no tempo como seu aliado".

Situação delicada

A situação do ministro ficou mais delicada após a entrevista ao Jornal Nacional, em que se negou a apontar o nome das empresas que contrataram seus serviços. Também não esclareceu que tipo de consultoria prestou e os valores envolvidos nas transações. Soube-se, por inconfidência do senador Eduardo Suplicy, que Palocci ganhou R$ 1 milhão somente com um processo de fusão. Em 2010, ele faturou R$ 20 milhões.

Os lucros auferidos pela Projeto são significativamente superiores aos resultados obtidos no mercado por empresas de consultoria mais antigas e com equipes de especialistas maiores e teoricamente mais competentes. O ministro é médico e, por esta e outras, pesa sobre ele a suspeita de que tenha usado sua influência política e informações privilegiadas obtidas na época em que comandou o ministério da Fazenda nas consultorias.

Desgaste político

Ele perdeu apoio na cúpula do PT e entre os dirigentes de partidos que compõem a base aliada. Muitos políticos e analistas consideram que sua saída é apenas uma questão de dias e que o tempo não está correndo a seu favor.

O desgaste político já é sensível e pode piorar. De acordo com informações divulgadas pelo jornal Folha de São Paulo, o governo teve acesso a pesquisas sinalizando dano na imagem de Dilma após o caso Palocci. O levantamento indicaria queda de 15 pontos percentuais na avaliação positiva de Dilma na capital paulista.

Da Redação, com agências