Festa boliviana é reconhecida pela prefeitura de SP
Realizada desde 1999 na capital paulista, a tradicional festa boliviana que cultua a Ekeko, deus da abundância, foi finalmente reconhecida pela prefeitura de São Paulo. Contentes com a conquista, agora bolivianos querem ampliação de direitos, entre eles o direito ao voto.
Por Mariana Serafini, do Portal Vermelho
Publicado 27/01/2014 13:10

Todo dia 24 de janeiro, há mais de duzentos anos, os bolivianos costumam deixar de lado seus afazeres cotidianos para cultuar o deus Ekeko. A festa é conhecida como Alasitas. Na capital paulista, onde se estima que vivam mais de 300 mil bolivianos, a festa não era reconhecida pelo poder público e chegou a ser reprimida durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD).
Este ano a Alasita teve um motivo a mais para comemorar, o prefeito Fernando Haddad (PT) assinou o decreto que incorpora a tradicional festa ao calendário oficial da cidade. A feira também contou com o apoio logístico da prefeitura, coisa que nunca tinha acontecido antes.
O secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Rogério Sottili, afirma que o próximo passo da prefeitura é regularizar a feira da Praça Kantuta, tradicional lugar de encontro dos bolivianos nos domingos paulistanos. A ideia do secretário é que a feira boliviana se torne um atrativo turístico da cidade, assim como a da Liberdade.
De acordo com o presidente da Associação dos Empreendedores Bolivianos da Rua Coimbra (Assembpol), Luís vásquez, agora a principal demanda dos bolivianos é poder votar nas eleições. “Sem esse direito, ficamos invisíveis para os políticos”, afirmou para a Rede Brasil Atual. O secretário concordou com a reivindicação e diz que o direito de votar e ser votado para os Conselhos Participativos da cidade a comunidade boliviana já conquistou.
Alasita
Segundo a crença boliviana, Ekeko é o deus da abundância. A festa é baseada na venda de miniaturas que devem ser abençoadas com rezas por um xamã, acompanhadas de incensos e cervejas. A ideia é que o “sonho em miniatura”, depois de abençoado se torne realidade.
As pessoas compram casinhas (quando querem comprar a casa própria), ou minis canteiros de obras para quando querem construir a própria habitação, carrinhos, dinheirinhos, e o mais curioso, mini cédulas de identidades de estrangeiros, fato que mostra o quanto os bolivianos querem ser reconhecidos no Brasil.
Há ainda quem quer garantir um relacionamento, e para isso compra um galo em miniatura para ter um marido, ou uma galinha para ter uma esposa. E quem pretende subir na vida leva para casa uma vaquinha.
Todas as miniaturas são trazidas da Bolívia especialmente para a ocasião. Segundo o presidente da Assembpol, além de ser religiosa, a festa também ajuda os bolivianos a complementarem a renda.
com informações da Rede Brasil Atual