Alessandro Molon, deputado Rede
“Não está em jogo a defesa de um governo. É mais do que é isso. É a defesa da democracia. E quem não respeita voto de eleitor não respeita eleitor”, disse Molon, que rechaçou a plataforma defendida pelo PMDB. “Esse Plano Temer é a retirada de direitos, é a violação de direitos trabalhistas”, completou.
Molon questionou os argumentos contidos no pedido de impeachment, defendendo que ele é “mal fundamentado e absurdo”. E disparou contra o presidente da Câmara. “Se esse processo fosse para combater a corrupção, ele não seria conduzido pelo deputado Eduardo Cunha”, disse, lembrando que o peemedebista é réu no Supremo.
Para ele, caso o impedimento seja aprovado, a “lição que ficaria não é a de que a presidenta não pode ultrapassar a lei orçamentária, mas a de que um presidente da República, ainda que não seja acusado de corrupção, quando for chantageado por um parlamentar poderoso, acusado no Conselho de Ética, não deve resistir, deve ceder”, discursou.
Molon também se disse incomodado com as notícias na mídia de que Cunha tentou alterar a ordem de votação para criar um “efeito manada”. E mandou um recado aos deputados: “Quem lhes trata como animais não merece seu apoio. Quem imagina que as lideranças não vão votar de acordo com suas consciências, estão diminuindo os deputados”, declarou, convocando os colegas a votarem “com sua consciência, de forma justa, se comportando como líderes e não se comportando como gado”.
Oportunismo político
O deputado Aliel Machado voltou a condenar o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Na comissão especial o voto de Aliel contra o impeachment surpreendeu. Segundo ele, o tempo é “a senhora da razão” e vai confirmar que a atual situação do país é “um aproveitamento político de uma situação de crise política que o país vive”. Aliel defendeu uma profunda reforma política e disse que neste momento é fácil ser a favor do impeachment.
“Eu poderia optar pelo discurso fácil em favor do impeachment. Mas isso não vai resolver o problema. Se esse governo que foi eleito pelas urnas não consegue tocar o país imagine um governo que não teve um voto”, ressaltou Aliel. Na opinião dele votar pelo impeachment “é entregar esse governo para o grupo da paulista que está financiando o impeachemt e que atacam quem pensa diferente deles, que fazem pressão aos deputados. Essas pessoas não merecem respeito”.
O parlamentar falou ainda sobre a falta de condições morais da linha sucessória presidencial. “Eduardo cunha, que vai ser o vice-presidente da república, tem sete processos no STF por recebimento de propina. É para essa pessoa que vamos entregar o comando do país? Michel Temer diz que está apenas esperando, não atrapalha, mas tem no Palácio Jaburu uma fila de políticos fazendo negociações e vem aqui fazer discurso moralista”, rebateu.
Aliel citou a nota divulgada por 130 juristas que afirma que o impeachment não tem embasamento legal apontando a ilegalidade do processo. “Se não fosse isso não teríamos o posicionamento de milhares de juristas, artistas, intelectuais, pessoas que combatem o governo equivocado da presidenta Dilma mas são contra o impeachment”, argumentou.