Unidade no feminismo é palavra de ordem em encontro da UNE

Neste final de semana foi realizado o 8º Encontro de Mulheres Estudantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. O tema do evento foi "Mulheres em Movimento: A resistência feminista nas universidades e nas ruas". No encontro, foi lembrada e homenageada a vereadora Marielle Franco, assassinada em março.

Por Verônica Lugarini

Primeira mesa do 8º EME da UNE - Fabiola Loguercio e Isadora Mendes/ Cuca da UNE

“Nós escolhemos falar sobre resistência porque realizar um evento como esse, em um momento tão duro pelo qual o Brasil passa, significa um sopro de esperança”. A presidenta destacou que além de um governo ilegítimo no poder, também há um Congresso conservador que “quer falar mais sobre a vida das mulheres mais do que nós mesmas”, disse a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Marianna Dias.

“Por viver nesse tempo, nós temos a responsabilidade de uma geração – de jovens mulheres e feministas – que ocupa as ruas, que constrói a Primavera Feminista e protagoniza a luta política do nosso país. Nós ainda não chegamos no patamar da igualdade, mas nós chegamos a ele e não queremos retroceder”, disse a presidenta na abertura do encontro.

Marianna destacou que o encontro deveria adquirir o lema da unidade entre as mulheres para que assim, seja possível identificar o sistema e a forma de organização social que ainda oprime as mulheres.

”É verdade que somos muitas e somos diversas e que há muitas divergências entre nós, mas é verdade que aqui nesse território há um feminismo popular que vai derrotar o fascismo que ataca os corpos e as vidas das mulheres brasileira s. Não serão nossas divergências que impedirão de irmos às ruas lutar por liberdade e democracia, a unidade é agora”, falou Maria das Neves, da União da Juventude Socialista (UJS).

Já Nalu Faria, da Marcha Mundial de Mulheres, relembrou a importância do espaço feminista promovido pela União Nacional dos Estudantes.

”São encontros como esse que temos de valorizar muito porque é aqui que vamos recarregar a força da nossa luta contra o patriarcado, contra o racismo, contra o capitalismo que nos vitimiza todos os dias. Construir unidade com mulheres de todo mundo é a única forma de transformar as estruturas de poder”, destacou a representante da marcha.

Educação

Marianna Dias também destacou a necessidade de luta para a conquista de uma “universidade diferente, com uma educação que emancipa e que liberta. Nós não queremos mais ter uma escola que reproduz e que nela, homens e mulheres, tenham contato com as opressões porque é na escola que vemos o racismo, homofobia, machismo e a opressão de classe”, falou.

Em meia à luta pela democratização do ensino pelos movimentos estudantis, em diversas ofensivas o governo de Michel Temer promove o esvaziamento das universidades com os incessantes cortes na área da educação tanto do ensino básico quanto do superior. No caso da educação básica, houve a tentativa, no final do ano passado, de abafar os debates sobre racismo, homofobia e gênero quando o Ministério da Educação excluiu menções ao combate à discriminação de gênero da versão da Base Nacional Comum Curricular.

Apesar de ter voltado atrás nessa decisão, o programa Escola Sem Partido ainda avança pelo país. Semana passada, ele foi aprovado pela comissão de deputados no Paraná.

Propostas semelhantes apresentadas em diferentes cidades do país já foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Marielle Franco

A vereadora Marielle Franco, assassinada em março, foi homenageada durante o evento.

“Marielle nos inspira e que hoje se torna uma das grandes referências da nossa luta política porque morreu em nome da liberdade, porque morreu ao não se ajoelhar para um sistema cruel que o nosso país ainda tem e morreu porque ousou falar aquilo que é preciso ser falado. Nós queremos um Brasil diferente, em que a juventude negra não seja assassinada. Nós queremos justiça”, finalizou Marianna Dias.