Após 20 dias de greve, petroleiros voltam ao trabalho vitoriosos

Petroleiros conseguiram suspender as demissões na Fafen-PR e forçaram a gestão da Petrobrás a negociar com a Comissão da FUP

Com assembleias concluídas em todas as bases do Sistema Petrobrás, os petroleiros retornaram ao trabalho nesta sexta-feira (21), após 20 dias de uma das greves mais importantes nas duas últimas décadas. De cabeça erguida, punho cerrado de quem seguirá na luta, a categoria volta a trabalhar de olho nos próximos embates.

Durante a greve, os petroleiros conseguiram suspender as demissões na Fafen-PR, revertendo também as que já haviam sido aplicadas contra 144 trabalhadores. Além disso, a greve forçou a gestão da Petrobrás a negociar com a Comissão da FUP, que participou nesta sexta da primeira reunião com a empresa, mediada pelo TST e acompanhada pelo Ministério Público do Trabalho.

Na reunião, concluída à tarde, ficou decidido que metade dos dias parados será descontada; a outra metade deve ser compensada. Na próxima quinta (27), haverá nova reunião para discutir as demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen), que continuam suspensas por decisão do TRT-PN.

No sábado, a Federação Única dos Petroleiros e sindicatos filiados voltam a se reunir para avaliar os resultados da negociação e discutir os próximos passos do enfrentamento aos ataques da gestão Castello Branco contra os trabalhadores. A greve está temporariamente suspensa e voltará a ser chamada, se não houver avanços no atendimento da pauta da categoria.

Luta e resistência

A greve dos petroleiros despertou um movimento de solidariedade em todo o país e também fora do Brasil, com apoio de centrais e confederações sindicais – inclusive internacionais –, intelectuais estrangeiros como o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, entidades da sociedade civil, juristas, partidos políticos, estudantes, trabalhadores de várias categorias, movimentos sociais e organizações populares. 

Diversas manifestações públicas foram realizadas no País em defesa dos petroleiros. Na quinta à noite, houve novos atos na Avenida Paulista, em São Paulo, em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, em frente à sede da Petrobrás. No Rio, dirigentes que integram a Comissão Permanente de Negociação da FUP foram recebidos por trabalhadores e movimentos sociais ao deixarem o prédio da empresa, onde permaneceram 21 dias, dentro de uma sala de reunião no andar do RH, buscando interlocução com a gestão.

“Para além da campanha de desinformação, fake news e mentiras propagadas para defender a política de privatização e entrega do patrimônio nacional pelo atual governo e seus apoiadores na grande imprensa, nos tribunais e no sistema político, a greve nacional dos petroleiros é um marco na nossa história, é uma greve a favor do Brasil e dos brasileiros. E será o caminhar dos acontecimentos relacionados à greve dos petroleiros que nos mostrará os caminhos de luta para garantir os nossos direitos e o nosso futuro enquanto país livre e soberano”, declarou o professor de direito da USP, Gilberto Bercovici, em artigo recente.

“Hoje os petroleiros estão no meio de um processo nacional. A greve dos petroleiros é a primeira grande vitória da classe trabalhadora desde 2016. Vocês conseguiram quebrar um pedaço do casco desse navio fascista, ditatorial, que se implantou no Brasil, abrindo uma brecha para conquistas futuras”, afirma Frei Sergio Gōrgen, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

“A luta dos petroleiros é uma síntese da aspiração de todo o povo brasileiro”, destaca Francisco Celso Calmon, coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do Espírito Santo. “Os petroleiros estão defendendo a soberania nacional, uma empresa que é estratégica para o desenvolvimento do Brasil e tem sido demolida a favor de interesses estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos. É uma luta para que o nível de desemprego não aumente.”

Com informações da FUP e da CTB

2 comentários para "Após 20 dias de greve, petroleiros voltam ao trabalho vitoriosos"

  1. YARED disse:

    a Categoria Petroleira é a última trincheira para defesa dos Direitos da Classe trabalhadora. qualquer categoria que não entender que somente a união e a luta da classe laboral(todas) podem barrar o trator fascistóide do governo bolsonaro, certamente será esmagada e terá seus direitos e conquistas ARRANCADOS. ACORDA PEÃO!!!

  2. yared disse:

    o TST,STF e outras instancias jamais julgarão uma greve de trabalhadores(Artº- 9º- Lei n.º 7.783 de 1989) como Legal, por isso a classe trabalhadora deve unir esforços para enfrentar esse poder que estará sempre ao lado da classe patronal, banqueiros e empresários, e tenta destruir todas as conquistas da classe que produz as riquezas do País e engorda as contas dessa elite parasita,

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