Pesquisadora Débora Diniz rebate Moro sobre motim da PM

Moro não viu “radicalismo” no motim de policiais, que incluiu intimidação à população, invasão de escola e 242 mortes.

Debora Diniz - Carlos Moura/SCO/STF

A defensora da descriminalização do aborto e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Débora Diniz rebateu Sérgio Moro, ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, que afirmou que não houve “radicalismos” na greve da Polícia Militar do Ceará. O motim terminou na noite de domingo (1°).

A pesquisadora reagiu a post no Twitter em que Moro comemorou o fim do motim. “Recebo com satisfação a notícia sobre o fim da greve dos policiais no Ceará. O governo federal esteve presente, desde o início, e fez tudo o que era possível dentro dos limites legais e do respeito à autonomia do Estado. Prevaleceu o bom senso, sem radicalismos. Parabéns a todos “, escreveu.

“O ministro Moro não vê radicalismo em 242 mortes no Ceará e um motim policial. Entende gravidade em um cartaz de festa punk”, tuitou Débora Diniz, fazendo referência à abertura de investigação contra os organizadores de uma festa no Pará.

Para Moro, o material de divulgação do evento Facada Fest, com uma representação do palhaço Bozo empalado por um lápis, faz apologia à violência. Já os policiais envolvidos no motim, que circularam pelas ruas encapuzados e intimidaram a população, não podem ser tratados como criminosos na visão de Moro.

“O governo federal vê com preocupação a paralisação que é ilegal da Polícia Militar do estado. Claro que o policial tem que ser valorizado, claro que o policial não pode ser tratado de maneira nenhuma como um criminoso. O que ele quer é cumprir a lei e não violar a lei, mas de fato essa paralisação é ilegal, é proibida pela Constituição”, disse o ministro no sábado (29).

Os motim da PM no Ceará durou 13 dias. Durante esse período, os policiais circularam encapuzados pelas ruas intimidando comerciantes para que fechassem estabelecimentos. Secaram pneus de viaturas para impedir que outros policiais trabalhassem. Também dispararam munição letal contra o senador Cid Gomes (PDT-CE), que tentou negociar com os grevistas e acabou avançando com uma retroescavadeira em direção a um quartel ocupado em Sobral. No sábado, invadiram uma escola em Fortaleza.

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