Bolsonarismo e pandemia levam 716 mil empresas a fecharam no Brasil

Apesar da crise sem precedentes, só 13% dos empresários acessaram socorro para pagar salários

Na primeira quinzena de junho, 1,3 milhão de empresas brasileiras estavam com atividades encerradas temporária ou definitivamente. Dentre elas, 716 mil não abrirão mais as portas, conforme informou nesta quinta-feira (16) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Embora a pandemia do novo coronavírus tenha acelerado a crise, tudo indica que a situação econômica do País – que vive uma recessão sob o governo Jair Bolsonaro – foi igualmente decisiva para implodir tantas empresas.

Os dados fazem parte da primeira edição da pesquisa “Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas”, lançada pelo instituto na semana passada. Conforme o levantamento, um terço das empresas brasileiras demitiu e só 13% tiveram acesso ao auxílio federal para pagar empregados.

Entre as empresas que encerraram as atividades mesmo que temporariamente, apenas 40% disseram ter tomado a decisão por causa da pandemia de Covid-19. O número confirma que empresários e empreendedores já vinham enfrentando dificuldades com o quadro econômico antes da pandemia.

Segundo o IBGE, o impacto foi disseminado em todos os setores da economia, chegando a 40,9% entre as empresas do comércio, 39,4% dos serviços, 37,0% da construção e 35,1% da indústria. Entre as empresas que encerraram definitivamente suas atividades, 99,8% (ou 715,1 mil) eram de pequeno porte. Apenas 0,2% (1,2 mil) eram consideradas intermediárias e nenhuma era de grande porte, disse o instituto.

No grupo das 2,7 milhões de empresas que permaneceram em atividade, 70% relataram que a pandemia teve impacto geral negativo sobre os negócios. Para 13,6%, por outro lado, a pandemia trouxe oportunidades que resultaram em um efeito positivo sobre a empresa. No setor de serviços, 74,4% das empresas disseram ter sentido efeitos negativos, o maior índice entre os segmentos pesquisados. Na indústria, foram 72,9%, na construção 72,6% e no comércio, 65,3%.

“Os dados sinalizam que a Covid-19 impactou mais fortemente segmentos que, para a realização de suas atividades, não podem prescindir do contato pessoal, têm baixa produtividade e são intensivos em trabalho”, disse Alessandro Pinheiro, Coordenador de Pesquisas Estruturais e Especiais em Empresas do IBGE. São segmentos mais afetados pelas restrições à circulação de pessoas para tentar conter a pandemia.

Tais medidas começaram a ser adotadas na segunda quinzena de março, o que levou indicadores da atividade no comércio, serviços e indústria a tombos recordes no mês seguinte. As lojas voltaram a abrir na maior parte do País, incluindo Rio e São Paulo, mas o crescimento no número de casos vem levando governos a repensar o relaxamento das medidas de isolamento.

Para 63,7% das empresas ainda em atividade ouvidas pelo IBGE, houve dificuldades em realizar pagamentos de rotina em relação ao período anterior a pandemia. Percentual semelhante (63%) enfrentou dificuldades para fabricar seus produtos ou atender clientes. Cerca 60% das empresas mantiveram o número de funcionários na primeira quinzena de junho em relação ao início da pandemia. Entre as que reduziram o número de pessoal ocupado, 37,6% reportaram uma redução inferior a 25% do pessoal e 32,4% uma redução entre 26% e 50% do número de pessoal ocupado.

Segundo o IBGE, 12,7% das empresas relataram ter conseguido uma linha de crédito emergencial para realizar o pagamento da folha salarial dos funcionários. Outras 44,5% empresas afirmaram ter adiado o pagamento de impostos.

Com informações da Folha de S.Paulo

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