Queda recorde dos PIBs de EUA e Alemanha prenuncia colapso no Brasil

Desde que a pandemia chegou ao Brasil, 716 mil empresas fecharam as portas

O tamanho do impacto econômico inicial causado pela pandemia do coronavírus começa pouco a pouco a emergir em países como Estados Unidos e Alemanha. Os números do trimestre de abril a junho – período em que grande parte das atividades foi paralisada para conter a disseminação da Covid-19 – não são alentadores. No caso do Brasil, os dados do PIB (Produto Interno Bruto) só serão divulgados no início do setembro, mas os sinais de colapso já são visíveis.

A economia dos Estados Unidos, a maior do mundo, encolheu a uma taxa anualizada de 32,9% entre abril e junho, a maior contração desde a Grande Depressão, na década de 1930, segundo dados divulgados pelo Departamento de Comércio na quinta-feira (30). Esse golpe na economia norte-americana não tem precedentes.

Os efeitos da paralisia da atividade também são sentidos em outros indicadores. A onda de demissões causada pela crise sanitária continuou a avançar nos EUA, onde novos pedidos de seguro-desemprego aumentaram pela segunda semana consecutiva.

Na Alemanha, a maior potência econômica da Europa, o tombo também foi histórico. O PIB alemão de abril a junho recuou 10,1% em relação ao trimestre anterior, de acordo com a agência de estatística do governo federal. É a queda trimestral mais acentuada desde 1970, quando os registros começaram.

Se comparado ao mesmo período do ano passado, o recuo foi de 11,7%. Diante dos números divulgados, o pessimismo tomou conta das principais bolsas globais que operaram com perdas. O dia também foi de resultados negativos de balanços de empresas importantes, como o banco Lloyds, a AirBus e a Volkswagen.

No Brasil, chamou a atenção a queda de 40% do lucro do banco Bradesco no segundo trimestre. Como terá sido o conjunto da economia? Em setembro, quando essa resposta for anunciada oficialmente, a extensão da crise gerada pela pandemia no País começará a se materializar em números e deve mostrar um retrovisor do provável pior trimestre de 2020, segundo analistas.

Por enquanto, as previsões sobre o tamanho do tombo da economia variam. A projeção do boletim Focus, desta semana, fala em um recuo de 5,77% no fim de 2020, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que o PIB brasileiro despencará mais de 9%. “Há ainda muita divergência sobre o que acontecerá até o fim do ano”, afirma o economista Mauro Rochlin, da FGV.

Segundo Rochlin, “não há certezas sobre como será de fato a retomada econômica e como irá evoluir o enfrentamento ao coronavírus no País. O que temos de fato agora é uma quebradeira muito grande das empresas”. Desde que a pandemia chegou ao Brasil, 716 mil empresas fecharam as portas, conforme a Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas, realizada pelo IBGE e publicada neste mês.

“Nos Estados Unidos, vimos uma leve melhora com a abertura das atividades, mas alguns estados começaram a ter de fechar parte das atividades e as empresas outra vez com o avanço de novos casos”, diz Rochlin. Os EUA registram 4,4 milhões de casos de coronavírus e mais de 150 mil mortes pela doença.

Embora as piores perdas econômicas tenham se concentrado em abril, a ameaça de pausas na reabertura reduz as chances de uma recuperação mais robusta da maior economia do mundo. “Como os EUA são o segundo parceiro comercial do Brasil, essa retomada mais lenta da economia americana pode chegar a comprometer nossas exportações e, ainda mais, o PIB brasileiro”, diz o professor.

Para o economista André Perfeito, da corretora Necton, a ação de enfrentamento à Covid-19 por parte do presidente Jair Bolsonaro e governadores não foi suficiente para frear o coronavírus e fez com que as próprias reaberturas das atividades econômicas também fossem menos eficientes. “Não basta liberar a abertura da economia, porque as pessoas estão constrangidas e inseguras. Em vários locais os casos estão aumentando”, afirma Perfeito.

Segundo o economista, “países que foram mais duros na quarentena estão colhendo mais louros, com famílias mais confiantes em sair e consumir”, diz. Para Perfeito, a política ultraliberal do ministro Paulo Guedes tampouco será capaz de frear a crise no curto prazo. “Infelizmente, não temos uma evidência de melhora. Por isso, ainda projeto uma queda de cerca de 7%, 7,5%”.

Também pessimista é a projeção da Comissão Econômica da Organização das Nações Unidas para América Latina e Caribe (Cepal). Conforme o órgão, a economia da região deve sofrer um tombo de 9,1%, com desemprego e pobreza aumentando. A expectativa da Cepal é de que o número de pessoas desempregadas aumente de 18 milhões para 44 milhões em toda a região, enquanto a pobreza deve subir sete pontos percentuais, alcançando mais 45 milhões de pessoas.

Com informações do El País

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