China exige fim das tarifas de Trump e promete contramedidas

Pequim acusa os EUA de unilateralismo e ameaça responder às tarifas com ações firmes. Medida afeta duramente exportações chinesas

O presidente Xi Jinping lidera a resposta chinesa às tarifas impostas pelos EUA, em meio ao agravamento das tensões comerciais globais. Foto: Li Xueren/Xinhua

A China exigiu nesta quinta-feira (3) o cancelamento imediato das tarifas impostas pelos Estados Unidos e afirmou que adotará contramedidas “resolutas” caso o governo de Donald Trump mantenha a nova política comercial. A resposta de Pequim ocorre após a Casa Branca anunciar, na véspera, uma ordem executiva que institui tarifas de até 54% sobre produtos chineses, sob o argumento de “reciprocidade”.

Em comunicado oficial, o ministério do Comércio da China afirmou que “se opõe firmemente” às medidas e condenou o que chamou de prática de “intimidação unilateral”. 

“A história mostra que o aumento das tarifas não pode resolver os problemas dos próprios EUA. Isso prejudica os interesses dos EUA e coloca em risco o desenvolvimento econômico global, bem como a estabilidade da cadeia industrial e de suprimentos”, declarou um porta-voz da pasta.

A nova política tarifária norte-americana estabelece uma “tarifa mínima de base” de 10% sobre todas as importações. Para países com os quais os EUA mantêm maiores déficits comerciais, a taxa é ainda mais elevada. No caso da China, as exportações passam a ser taxadas em 34%, além dos 20% já vigentes, somando uma carga total de 54% sobre os produtos chineses.

Para o governo chinês, a iniciativa ignora os acordos firmados em décadas de negociações multilaterais e viola as normas da Organização Mundial do Comércio. “Os EUA determinaram as chamadas ‘tarifas recíprocas’ com base em uma avaliação subjetiva e unilateral, que não está em conformidade com as regras do comércio internacional”, declarou o porta-voz do ministério, acrescentando que a medida “prejudica gravemente os direitos e interesses legítimos das partes relevantes”.

A ofensiva tarifária foi apresentada por Trump no Rose Garden da Casa Branca, acompanhada de um gráfico que justificava as novas cobranças com base nas barreiras comerciais supostamente impostas por países como China, Japão, União Europeia e Índia. O presidente norte-americano alega que as novas tarifas ajudarão a gerar receita e a reindustrializar os Estados Unidos.

Pequim rebateu as acusações. “Não há vencedor em uma guerra comercial, e o protecionismo não leva a lugar algum”, afirmou o ministério do Comércio. O governo também destacou que os EUA têm se beneficiado do comércio internacional há décadas, e que desconsiderar o equilíbrio construído ao longo dos anos é uma estratégia perigosa e isolacionista.

Além da China, outros países já sinalizaram oposição à medida. O Japão alertou que os investimentos de suas empresas nos EUA podem ser afetados. A União Europeia anunciou que prepara uma resposta conjunta. 

O Brasil, por sua vez, aprovou um projeto de lei que autoriza retaliações, com apoio de diferentes setores da base parlamentar do governo.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, alertou que qualquer país que retaliar as tarifas sofrerá sanções ainda mais severas. “Se você retaliar, haverá uma escalada. Se você não retaliar, esse é o ponto alto”, disse ele, em declaração interpretada como um recado aos parceiros comerciais para que não desafiem a nova doutrina comercial norte-americana.

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