Governo prepara plano de contingência contra tarifaço
Entre as opções, o ministro da Fazenda diz que estão o acionamento da lei de reciprocidade e apoio aos setores prejudicados por meio de crédito especial
Publicado 21/07/2025 15:54 | Editado 23/07/2025 08:23
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que sua pasta trabalha num plano de contingência que será apresentado nesta semana ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar o tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros.
Entre as opções, o ministro afirma que estão o acionamento da lei de reciprocidade e apoio aos setores prejudicados por meio de crédito especial.
“Pode ser que tenhamos que apoiar setores que estão sendo afetados injustamente, com relações de décadas com os Estados Unidos. Mas o Brasil não vai adotar medidas de punição contra empresas ou cidadãos americanos. Não podemos pagar na mesma moeda algo que consideramos injusto”, disse nesta segunda-feira (21) em entrevista à rádio CBN.
Haddad desafiou os veículos de comunicação do país a deixar cada vez mais claro o problema, isto é, por interesses pessoais da família Bolsonaro a economia do país está sob ataque.
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“Nós estamos com um problema específico no país, que é o fato de que uma família com prestígio na sociedade está concorrendo contra os interesses nacionais”, critica.
Na entrevista, o ministro considerou medidas como tarifaço e investigação sobre Pix como agressões externas injustificáveis. Ele ligou as ações diretamente à atuação de Eduardo Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos.
“É muito grave o que aconteceu. O Brasil já se reuniu com autoridades americanas mais de dez vezes este ano. O que mudou para que de uma hora para outra a tarifa passasse de 10% para 50%?”, indagou.
O ministro diz que a orientação do presidente Lula é não sair da mesa de negociação. “Não temos nenhuma razão para aceitar o que parece uma provocação sem base factual de que a economia brasileira possa estar prejudicando de qualquer maneira a economia dos Estados Unidos da América. Em que que nós estamos prejudicando, em nada”, enfatiza.
Para ele, é preciso trazer o debate para a mesa de negociação da qual o Brasil nunca saiu e não sairá. “E nós estamos continuamente provocando, no bom sentido da palavra, o debate com o governo dos Estados Unidos para que haja uma resposta às nossas proposições, o que não houve até agora”, revela.
“Em qualquer área que você olhar, o Brasil tem uma relação muito mais amigável com os Estados Unidos do que qualquer outro país do mundo. Então, não faz sentido o que está sendo proposto”, lamenta.