Unicef: mais de 300 mil alunos voltaram às salas de aula no Brasil
Dados revelam que a estratégia de Busca Ativa Escolar resultou no retorno massivo de crianças e adolescentes à escola em oito anos. Apesar disso, 993 mil não estudam
Publicado 29/07/2025 18:10 | Editado 29/07/2025 18:41
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) revelaram que entre 2017 e 2025 mais de 300 mil crianças e adolescentes voltaram aos estudos no Brasil. O dado faz parte dos resultados da estratégia Busca Ativa Escolar (BAE), que apoia estados e municípios no combate ao abandono escolar.
Apesar desse resultado positivo, as entidades ponderam que ainda há 993 mil crianças e adolescentes de 4 a 17 anos que não frequentam a escola no país, conforme a PNAD Contínua 2024. Isso significa que 2% da população nessa faixa etária ainda não tem garantido o direito à educação, sendo que para estes brasileiros a educação é obrigatória e abrange as etapas da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio.
Sobre a Busca Ativa Escolar, a chefe de educação do Unicef no Brasil, Mônica Dias Pinto, destaca que a estratégia tem se consolidado no país, com adesão de mais de 2 mil municípios e 21 estados.
Creche
Outro dado preocupante é que 60% das crianças de 0 a 3 anos não vão à creche: cerca de 7 milhões. Apesar dessa fase não estabelecer Educação obrigatória, ainda que conste como direito, está abaixo da meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa até 50% das crianças na creche até 2024, destaca o Unicef.
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Brasil chega perto da meta da alfabetização de crianças no ensino público
Conforme aponta o Fundo, o Brasil precisa aumentar em 1,2 milhão o número de matrículas para alcançar a meta do ano passado.
Além disso, o estudo mostra que 36% (2,4 milhões) dos bebês e crianças fora da creche são de famílias de baixa renda: vivem entre os 20% das famílias com menor renda do país.
Crianças e adolescentes
Entre as crianças e adolescentes, de 4 a 17 anos, que estão longe das salas de aula 55% são meninos e 45% são meninas.
A desigualdade é mais acentuada quando o critério de raça/cor é colocado. Dos alunos que não estudam, 67% são pretos, pardos ou indígenas. A renda também tem forte relação com essa exclusão: “quase 400 mil vivem nas famílias 20% mais pobres”.
A faixa etária mais afetada está entre os adolescentes de 15 a 17 anos, em que a exclusão atinge 440 mil adolescentes fora da escola. Para combater a evasão justamente nessa etapa final em que os jovens estão majoritariamente no ensino médio, o governo federal tem investido no programa Pé-de-Meia, que oferece um benefício financeiro para que os jovens carentes não precisem deixar a escola para trabalhar.