Itália faz greve geral em solidariedade à flotilha de Gaza
Centenas de milhares marcharam em mais de 100 cidades após Israel interceptar embarcações que levavam ajuda humanitária; Meloni criticou paralisação e oposição pediu embargo de armas a Tel Aviv
Publicado 03/10/2025 13:10 | Editado 03/10/2025 13:42
Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas da Itália nesta sexta-feira (3) em uma greve geral e em protestos em solidariedade à Flotilha Global Sumud, interceptada por Israel no início da semana quando tentava romper o bloqueio a Gaza e entregar ajuda humanitária.
Segundo os organizadores, 300 mil pessoas participaram apenas do ato em Roma, que partiu da Piazza Vittorio em direção à estação central de trens. Em Milão, foram 100 mil; em Nápoles, 50 mil; em Veneza, 25 mil; e em cidades da Sicília, outras 150 mil.
A paralisação, convocada pelas centrais sindicais, bloqueou estradas, rodovias e portos, incluindo o de Livorno, além de provocar atrasos e cancelamentos na malha ferroviária.
Em Bolonha, manifestantes marcharam pela rodovia que circunda a cidade, enquanto em Milão a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar grupos que ocupavam o anel viário.
A empresa Trenitalia advertiu que um milhão de passageiros ficariam a pé, com a greve se estendendo até as 20h59. Estações de trem foram ocupadas de Perugia a Cagliari. Em Nápoles, cerca de 10 mil bloquearam o porto.
As manifestações italianas ocorreram em paralelo a uma onda de atos em dezenas de cidades europeias e de outros continentes.
Em Paris, mais de mil pessoas se reuniram na Praça da República em protesto contra a ofensiva israelense em Gaza e a interceptação da flotilha, que contou com a presença de figuras como Greta Thunberg, o neto de Nelson Mandela, Mandla Mandela, e a ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau.
Quatro deputados do partido França Insubmissa (LFI) estavam a bordo e seguem detidos, enquanto em Marselha cem manifestantes foram presos ao tentar bloquear a empresa de armas Eurolinks.
Em Barcelona, ruas foram interditadas e houve choques com a polícia. Em Lisboa, centenas se concentraram diante da embaixada israelense com cartazes que pediam sanções contra Tel Aviv e liberdade para os quatro portugueses detidos.
Mais de 3 mil suíços ocuparam a estação Cornavin, em Genebra, e lançaram pneus em chamas nos trilhos, sendo dispersados com gás lacrimogêneo.
Em Atenas, mais de mil marcharam até a embaixada israelense, disparando fogos e sinalizadores contra o prédio. Mobilizações semelhantes ocorreram em Helsinque, Bruxelas, Haia, Nicósia, Istambul, Nova York, Sydney, Kuala Lumpur, Karachi, Buenos Aires e Cidade do México.
O Ministério das Relações Exteriores da Itália confirmou que 40 italianos estavam entre os detidos, incluindo dois deputados nacionais e dois eurodeputados já libertados. A chefe da oposição, Elly Schlein, do Partido Democrático, declarou que a flotilha “tentava fazer o que os governos europeus e a União Europeia deveriam estar fazendo, romper o bloqueio que causa fome em Gaza”.
Ela pediu “um embargo total de armas, como votou a Espanha, e o reconhecimento pleno do Estado da Palestina”.