Lula levará carta de conferência ambiental infantojuvenil a líderes da COP 30

Ao participar da 6ª Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, presidente diz que crianças e adolescentes estão “fazendo uma pequena revolução” no país

Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quarta-feira (8), da 6ª Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, em Luziânia (GO). Na ocasião, ele se comprometeu a levar aos chefes de Estado que participarão da COP 30 uma carta com os compromissos assumidos por crianças e adolescentes com a proteção do meio ambiente e do clima.

Diante de uma plateia formada majoritariamente por esse público, advindo de escolas públicas, Lula salientou: “Vocês estão fazendo uma pequena revolução neste país”.

O presidente afirmou que vai apresentar a carta-compromisso dos estudantes aos chefes de outras nações que estarão em Belém (PA) e que espera, com esse gesto, mostrar o grau de maturidade política e ambiental das crianças e jovens brasileiros.

Lula também defendeu que a educação sobre o clima não deve ser algo eventual e sim fazer parte, de maneira sistematizada, do cotidiano e da cultura do país. “Esta conferência é um exemplo disso”, completou.

O presidente também rechaçou o uso de armas nucleares e de conflitos como o que acontece na Faixa de Gaza. “No ano passado, foram investidos US$ 2,7 trilhões de dólares em armas. E temos 760 milhões de pessoas que vão dormir toda noite sem ter o que comer. É esse mundo que nós temos de mudar e que vocês estão contribuindo para a gente mudar”, argumentou.

Na avaliação do presidente, “a solução do planeta está nas oportunidades de participação dos nossos filhos, netos e da nossa juventude”.

Referência em educação ambiental

A 6ª Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente foi idealizada em 2003 pela ministra Marina Silva (Meio Ambiente) e é considerada uma referência em educação ambiental e justiça climática ao promover a inserção, nos currículos escolares, da Política Nacional de Educação Ambiental e de temas como mudança do clima e proteção da biodiversidade.

Além disso, o evento é visto como um dos principais espaços de formação, mobilização e protagonismo desse público em torno das agendas de meio ambiente e clima no Brasil. Desde 2003 até 2018, a conferência envolveu mais de 20 milhões de pessoas, de acordo com o governo.

Até alcançar a etapa nacional da conferência — que conta com 800 participantes entre estudantes da rede pública, educadores e representantes de entidades ligadas à agenda ambiental — mais de 2,2 milhões de pessoas foram mobilizadas em 8.732 escolas de 2.307 municípios de todos os estados, segundo informações oficiais.

Desse total de instituições educacionais, 1.478 são da zona rural, 186 indígenas e 139 quilombolas; 1.293 escolas estão em áreas de risco socioambiental e 158 atendem estudantes com deficiência (PCDs). 

“Foi um ano inteiro de discussão nas escolas brasileiras, mas o tema tem que ser permanente e em todos os níveis escolares. Para isso, há a formação de professores, conselhos escolares e envolvimento dos pais e da comunidade. É impressionante como filhos e filhas vão para a casa e mexem na consciência dos pais em relação ao meio ambiente. É um processo transformador de cuidar do planeta e do meio ambiente”, afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana.

Neste ano, a atividade integra a preparação nacional para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), que acontece em Belém (PA) de 10 a 21 de novembro. “É esse país que vai sediar a COP 30 para que seja a COP da verdade, da implementação, da justiça climática. Isso se chama democracia e preocupação social e ambiental, mas também compromisso”, declarou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

A ministra reforçou que a justiça ambiental precisa andar em conjunto com a justiça social, outra bandeira da atual gestão. “Para que o futuro seja justo, democrático e sustentável, é fundamental que tenhamos um ecossistema saudável: com democracia, Fies, Pé-de-Meia, Luz para Todos e Minha Casa, Minha Vida”, pontuou.

Compromissos

A carta produzida pelos estudantes destaca, entre outros pontos, que a crise ambiental é um sintoma “dos problemas causados pelos seres humanos”. Por isso, salienta, “nos comprometemos a apoiar a luta e resistência de povos indígenas, comunidades quilombolas, agricultores familiares, pois são essenciais, para qualquer transformação social e ambiental, as suas tecnologias ancestrais”.

O documento ainda ressalta que é preciso “proteger as pessoas e toda a vida do planeta com equidade, igualdade e inclusão. Justiça climática não é só sobre o meio ambiente ou o clima”. Também defende a necessidade de “ampliar a nossa capacidade de prevenção de riscos, assumindo que a consciência das diferentes vulnerabilidades nos torna mais humanos, verdadeiros e potentes para lidar com os impactos dos desastres climáticos”.

A carta ainda aborda a importância de se resistir “a um sistema que força as pessoas a competirem por poder e dinheiro, gerando desigualdades e preconceitos, como o racismo, a homofobia, a exclusão, a intolerância religiosa, o racismo ambiental, entre outras diversas formas de discriminação”.

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