CEOs da Ford e da Nvidia admitem que a China vencerá a corrida tecnológica

Automóveis com alta tecnologia embarcada e mais baratos. Produção de semicondutores com farta disposição energética. A superioridade chinesa assusta empresas dos EUA

Jim Farley e Jensen Huang. Foto: Reprodução

Os Estados Unidos já ficaram para trás na corrida tecnológica. Na visão do CEO da Ford, Jim Farley, e da Nvidia, Jensen Huang, a China já está sozinha na liderança da disputa por este mercado.

A visão de Farley foi expressa ao site de notícias financeiras Business Insider. Para ele, as marcas chinesas de automóveis podem ocupar o lugar das montadoras ocidentais.

O fenômeno que está para acontecer é muito mais profundo do que a entrada de veículos japoneses no mercado na década de 1980. Ainda que similar, para Farley agora existe o diferencial da imensa escala de produção chinesa, capaz de abastecer todo o mercado norte-americano.

O alerta é feito em tom de preocupação, uma vez que o executivo representa a Ford. Na sua visão, caso esse jogo não seja equilibrado rapidamente, as companhias como a dele não terão perspectiva de futuro.

Como explica, a previsão não se deve apenas à produção de carros elétricos, na qual a China tem ampla vantagem. O diferencial é produzir carros com toda a tecnologia de ponta embarcada e integrada a outros equipamentos utilizados pelos consumidores.

Segundo Farley, ainda que os automóveis chineses não possam ser vendidos nos EUA, essa barreira criada é muito frágil visto que empresas como Huawei e Xiaomi estão muito avançadas tecnologicamente.

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Estas empresas, mais conhecidas no Brasil por equipamentos eletrônicos como smartphones, tablets, notebooks e dispositivos de casa inteligente, já se aventuram no ramo automotivo. A Xiaomi produz carros como o YU7, modelo recém-lançado na China e mais barato que o Tesla. Já a Huawei também produz carros como a SUV Seres 7.

Assim, as montadoras chinesas contam com a vantagem de produzir veículos totalmente integrados às suas tecnologias, além de estarem em um país com fartos recursos para a produção de chips essenciais para o setor. Farley chegou a confessar que dirigiu por meses um Xiaomi SU7 “por verdadeira admiração pela tecnologia e pelo produto”.

Comunga das mesmas observações Jensen Huang, CEO da Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo, com valor superior a US$ 5 trilhões. Para o executivo, ao Financial Times, a China irá vencer a corrida da Inteligência Artificial.

Para Huang, enquanto a China cria mecanismos de incentivo aos seus produtos e os submetem ao mercado global, os Estados Unidos sob Trump adotam restrições para a venda dos chips mais avançados da Nvidia para os chineses.

Ele afirmou que os EUA e o Reino Unido têm sido prejudicados pelo “cinismo”. Para efeito comparativo, lembrou que a China criou uma política de subsídios energéticos para que as empresas regionais pudessem operar alternativas aos chips da Nvidia.

Com essa ampla oferta de energia, essencial para centros de dados e produção dos equipamentos, a burocracia norte-americana é incapaz de equiparar o avanço chinês. Dessa maneira, enquanto os semicondutores da Huawei e Cambricon ainda são menos eficientes que os da Nvidia, os servidores de rede de empresas como a Alibaba contam com energia a preço de custo para equiparar qualquer defasagem. Portanto, quando esses chips chineses alcançarem a tecnologia norte-americana, o equilíbrio penderá de vez para o lado do gigante asiático.

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