Letalidade policial cresce 59% em SP sob governo Tarcísio
Relatório da Rede de Observatórios da Segurança mostra salto nas mortes por intervenção policial em São Paulo, com 812 vítimas em 2024 — uma a cada 11 horas.
Publicado 07/11/2025 14:22 | Editado 10/11/2025 14:48
São Paulo registrou o maior aumento de letalidade policial entre os nove estados analisados pela Rede de Observatórios da Segurança. O número de mortes decorrentes de ações policiais passou de 510 em 2023 para 812 em 2024 — um crescimento de 59,2%. O dado coloca o estado no topo do ranking nacional.
O aumento coincide com o enfraquecimento do Programa Olho Vivo, que deixou de ter câmeras corporais com gravação ininterrupta. “O desmonte desse programa abriu espaço para práticas operacionais mais violentas”, afirma Francine Ribeiro, pesquisadora da Rede.
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Operações letais na Baixada Santista
As operações Escudo e Verão, realizadas entre 2023 e 2024 na Baixada Santista, concentraram 84 das mortes — 28 na primeira fase e 56 na segunda. As ações ocorreram após o assassinato de um policial da Rota, em julho de 2023.
Segundo o relatório, os municípios de São Paulo (31,9%), Santos (5%) e São Vicente (4,6%) lideram os índices de mortes. “Voltamos aos patamares de 2019, antes das câmeras corporais”, conclui Ribeiro.

Jovens negros seguem como principais vítimas
Em São Paulo, 63% das vítimas eram negras, embora a população negra no estado represente 40,9%. Nacionalmente, negros correspondem a 75,4% das mortes provocadas por ações policiais.
A maioria das vítimas — 41% entre 18 e 29 anos — reforça o padrão racial e etário da violência policial no Brasil. “O Estado mata com base em critérios raciais. Não é desvio, é padrão”, resume Jonas Pacheco, coordenador da pesquisa.
Rede cobra controle e transparência
A Rede de Observatórios recomenda o uso obrigatório de câmeras corporais em todas as operações, a transparência total nos dados de letalidade e um programa de saúde mental para policiais.
O relatório também propõe que repasse de recursos federais à segurança pública seja condicionado à redução comprovada da violência policial e à reparação das famílias de vítimas.