Celac e UE condenam militarização dos EUA e defendem Zona de Paz

ONU e países do G7 também enxergam violações do direito internacional na operação e criticam o avanço militar: lógica imperial e intervencionista

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A Cúpula Celac–UE (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos e a União Europeia) aprovou, nesta semana, uma declaração conjunta de 58 países que rejeita o uso da força no Hemisfério Sul e reafirma a América Latina e o Caribe como Zona de Paz — um recado direto à escalada militar dos Estados Unidos no mar do Caribe. 

A operação também gerou protestos do Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, e de governos do G7.

A movimentação norte-americana, marcada pelo envio de destróieres, submarinos e do porta-aviões USS Gerald R. Ford, reativa a lógica agressiva do imperialismo dos EUA que historicamente pauta a política externa de Washington para a região.

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Governos e organismos multilaterais classificaram as ações como violações da soberania regional e advertiram que Washington volta a atuar sob uma lógica imperial e intervencionista que rompe o equilíbrio diplomático construído nas últimas décadas.

Entre os que reagiram estão Colômbia, Rússia, Reino Unido, Canadá e México, além do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, que qualificou as ações como “execuções extrajudiciais”. 

As declarações ocorreram após a entrada do porta-aviões USS Gerald R. Ford na área de responsabilidade do Comando Sul, marcando a maior presença militar norte-americana na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989.

Condenações latino-americanas e defesa da soberania

O governo da Colômbia foi o primeiro a adotar uma medida concreta. O presidente Gustavo Petro determinou a suspensão imediata da cooperação de inteligência com os Estados Unidos, em protesto contra os bombardeios a pequenas embarcações no Caribe e no Pacífico.

Em comunicado público, Petro afirmou que “a luta contra as drogas deve subordinar-se aos direitos humanos do povo caribenho” e acusou Washington de violar a soberania e o direito internacional humanitário. 

Segundo dados confirmados pela ONU, os ataques já deixaram ao menos 80 mortos.

Em Caracas, o chanceler Yván Gil agradeceu à Duma, o parlamento da Rússia, pela resolução unânime que condena o aumento da presença militar norte-americana no Caribe. O texto russo, apresentado por Leonid Slutsky, pede que parlamentos de todo o mundo repudiem as operações dos EUA e reafirma a América Latina e o Caribe como Zona de Paz.

Gil afirmou que “a Venezuela valoriza profundamente a firme solidariedade da Rússia na defesa de nossa soberania”, e classificou as acusações de narcotráfico feitas por Washington como “falsas e absurdas”, argumentando que o objetivo é justificar uma agressão com o objetivo de se apropriar dos recursos energéticos venezuelanos.

Europa reage e impõe limites à cooperação militar

As críticas se estenderam a aliados históricos dos Estados Unidos. O Reino Unido anunciou a suspensão do compartilhamento de informações de inteligência após constatar que dados britânicos teriam sido usados em ataques letais contra embarcações civis.

Fontes diplomáticas ouvidas pela CNN afirmaram que Londres considera as ações “contrárias ao direito internacional” e “incompatíveis com os princípios do uso proporcional da força”.

O Canadá adotou medida semelhante: o ministério da Defesa declarou que as atividades canadenses no Caribe são “separadas e distintas” das operações conduzidas por Washington e exigiu garantias formais de que sua inteligência não será utilizada para ataques letais.

A reação conjunta dos dois países, membros centrais da aliança atlântica, representa uma condenação sem precedentes ao uso unilateral da força pelos Estados Unidos em território latino-americano.

ONU classifica ações como ilegais e sem amparo jurídico

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou que os ataques norte-americanos “violam o direito internacional e equivalem a execuções extrajudiciais”.

Segundo especialistas da ONU, as embarcações atingidas não participavam de hostilidades armadas nem representavam ameaça imediata, o que torna o uso de mísseis contra alvos civis incompatível com o Direito Internacional Humanitário.

A análise da ONU reforça a avaliação de que a decisão de Trump de reclassificar cartéis de drogas como “organizações terroristas estrangeiras” não concede base legal para o uso de força letal. Para juristas ouvidos pela imprensa internacional, a justificativa configura abuso de autoridade e violação da Carta das Nações Unidas.

México reafirma independência e rejeita interferência

No México, a presidente Claudia Sheinbaum repudiou em pronunciamento público qualquer proposta de intervenção militar estrangeira sob o pretexto de combate ao narcotráfico.

“Não somos colônia de ninguém, somos um país soberano e independente”, afirmou, lembrando que “a última intervenção dos Estados Unidos fez com que perdêssemos metade do nosso território”.

Sheinbaum defendeu a política de segurança centrada em programas sociais e na Guarda Nacional, contrapondo-a à “guerra ao narcotráfico” promovida em governos anteriores, marcada por militarização sem base legal e aumento da violência.

A fala da presidente insere-se no mesmo tom das demais reações latino-americanas: defesa da soberania, denúncia de práticas intervencionistas e exigência de soluções políticas em lugar da coerção militar.

Região reafirma a América Latina e o Caribe como Zona de Paz

Durante a Cúpula da Celac, realizada em Bogotá, 58 dos 60 países-membros aprovaram uma declaração conjunta que rejeita “o uso ou a ameaça de uso da força e qualquer ação contrária ao direito internacional”.

Embora o texto não cite diretamente os Estados Unidos, diplomatas confirmam que a resolução expressa repúdio coletivo à militarização do Caribe e reitera o compromisso com a Zona de Paz, princípio estabelecido em Havana em 2014.

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