O legado da COP30 para o Pará e o orgulho do povo amazônida

A COP30 transformou Belém em vitrine mundial da Amazônia, impulsionou infraestrutura, mobilidade, turismo e bioeconomia e reforçou o protagonismo dos povos da floresta no debate climático.

Voluntárias e Voluntários da COP30 - Foto: Ricardo Stuckert / PR

A realização da COP30 em Belém no mês de novembro representou, para o povo do Pará e para Amazônia, um marco histórico que transcendeu a realização de um evento meramente internacional, ela simbolizou o reconhecimento global de uma região que, por séculos, foi tratada como periférica, mas que sempre esteve no centro dos processos naturais que sustentam o planeta. A satisfação dos paraenses nasce justamente dessa inversão simbólica — pela primeira vez, o mundo se voltou à Amazônia não como território distante, mas como epicentro das decisões climáticas.

Para muitos paraenses a amazônidas, foi um sentimento misto de orgulho, reparação e afirmação identitária. Orgulho porque a COP 30 colocou a cultura, a ciência, a arte, a culinária e os modos de vida amazônicos sob os holofotes internacionais. Reparação porque reconhece a importância histórica das populações que de fato preservam a floresta — indígena, ribeirinhos, quilombolas, extrativistas, pescadores — e que raramente tiveram voz nas mesas globais de negociação. E afirmação porque reforça que o Pará e a Amazônia não são apenas detentor de riquezas naturais, mas também de conhecimento, protagonismo e vontade de construir um futuro sustentável.

A satisfação do povo paraense também tem uma dimensão emocional profunda. Durante décadas, a Amazônia foi narrada quase sempre por quem não vivia nela — através de estereótipos, distorções e reduções. E agora, com a COP 30, realizada em Belém na capital paraense foi à própria região que assumiu parte dessa narrativa. Contada em parte por ribeirinho explicando o ciclo das águas, por pesquisadores amazônicos mostrando a biodiversidade, pela comunidade indígena apresentando seus sistemas de manejo, a juventude discutindo inovação climática. Essa visibilidade real, dada por quem vive na floresta e nas suas grandes cidades como: Manaus – AM, Belém – PA, Porto Velho – RO, Ananindeua – PA, Macapá – AP, Boa Vista – RR, Rio Branco – AC, Santarém – PA, Palmas – TO, Marabá – PA, entre outras dessa região que é considerada o pulmão do planeta terra, provocou um sentimento coletivo de dignidade humana.

Há também o orgulho cívico: Belém, com sua arquitetura histórica, suas feiras populares, seus rios e sua cultura vibrante, torna-se vitrine do Brasil amazônico. As transformações urbanas, os investimentos em infraestrutura e o olhar global voltado ao Pará reforçaram a percepção de que o Estado não é apenas guardião da floresta, mas também potencial polo de ciência, tecnologia, turismo e economia verde.

Em profundidade, a satisfação do povo paraense com a COP 30 realizada em Belém, está ligada à esperança de que as conversas sobre clima deixem de ser abstratas e passem a refletir as realidades de quem vive diariamente a Amazônia. É a expectativa de pós COP 30, o mundo finalmente compreenda que conservar a floresta significa valorizar as pessoas, seus direitos, suas culturas, suas histórias e toda essa massa de seres humanos que vivem nessa imensa região, hoje estimado segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, aproximadamente 29,6 milhões de pessoas na Amazônia brasileira.

Por tudo isso, o orgulho do paraense que recebeu a COP 30 é, acima de tudo, o orgulho de finalmente ser protagonista de sua própria narrativa, contribuindo para decisões que podem redefinir o futuro do planeta — a partir da Amazônia, a partir do Pará, a partir de Belém.

Por outro lado a cidade de Belém se transformou em diversas áreas e dimensões como; infraestrutura urbana e mobilidades mais modernas; reforço do protagonismo amazônico; impulso econômico e incentivo à economia verde; expansão do turismo nacional e internacional; atração de investimentos ligados à bioeconomia; fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis (manejo florestal, produtos nativos, turismo de natureza); valorização cultural e fortalecimento da identidade amazônica; consolidação de políticas ambientais de longo prazo; inclusão social e participação comunitária.

A COP 30 teve um potencial para transformar o Pará em um modelo global de desenvolvimento sustentável, onde economia, cultura e conservação caminharam juntos. Seu legado não se limita ao período da conferência: ele se manifesta na modernização da cidade, na valorização do povo amazônico e na consolidação do Pará como referência mundial no debate climático.

Principais obras ligadas à COP 30 no Pará em Belém:

  • Urbanismo, mobilidade e saneamento – ocorreram reforma e pavimentação de 279 vias — cerca de 88,7 km de ruas e avenidas — em 32 bairros e distritos da capital paraense;
  • Expansão da Belém Metropolitana BRT, com modernização da rodovia BR-316 até o município de Marituba, e construção de cinco viadutos ou passarelas;
  • Obras de macro-drenagem e saneamento em diversas bacias da cidade — exemplo: os canais Tucunduba, Benguí, Marambaia e o sistema de drenagem/ saneamento para o complexo do mercado histórico, Ver-o-Peso. Essas intervenções ajudam a reduzir alagamentos e melhoram rede de esgoto;
  • Espaços públicos, lazer e cultura – a criação do City Park — uma grande área de 500.000 m² no local de um antigo aeroporto — com ciclovias, trilhas ecológicas, centro de economia criativa, gastronomia, áreas verdes, lago, espaços de convivência e lazer;
  • Os parques lineares como o Doca Linear Park e o Tamandaré Linear Park — com drenagem e revitalização dos canais, espaços para lazer como ciclovias, academias ao ar livre, quiosques, áreas verdes — transformando antigos canais urbanos em áreas de convivência e lazer;
  • Revitalização e renovação do antigo mercado histórico Mercado Municipal de São Brás — 114 anos — como primeira obra entregue no pacote da COP30. A reforma buscou preservar o patrimônio histórico e agora abriga boxes, quiosques, restaurantes, espaços para vendedores tradicionais “boieiras” e comércio local;
  • Transporte aéreo e logístico – A modernização do Aeroporto Internacional de Belém, com expansão do terminal de passageiros (capacidade aumentada de 7,7 milhões para 13 milhões/ano), melhorias nas áreas de embarque, navegação aérea, instalação de espaços para conforto (inclusive sala multissensorial) e infraestrutura para atender o aumento de visitantes com qualidade;
  • Infraestrutura de apoio, turismo e economia – construção e requalificação do espaço Porto Futuro II, no qual passa sediar o Centro de Inovação e Bioeconomia, museu, espaço cultural e receber cruzeiros — com o objetivo de energizar o turismo, a cultura e a bioeconomia amazônica;
  • Diversas obras de drenagem e saneamento – canalização, redes de água e esgoto, contenção de enchentes em várias áreas de Belém — beneficiando centenas de milhares de habitantes, e com impacto direto na qualidade de vida urbana;

O investimento total nas obras preparatórias ultrapassaram o montante de (Cinco) R$ 5 bilhões. Recursos investidos pelo Governo Federal com contrapartidas tanto do Governo do Estado do Pará e da Prefeitura de Belém, segundo informações de autoridades e no portal da transparência.

Ou seja: os recursos para as obras da COP 30 em Belém vieram de uma combinação de fontes, incluindo o Governo Federal, que destinou verbas por meio do Orçamento Geral da União, BNDES e Itaipu Binacional. O Governo do Pará, a Prefeitura de Belém e a iniciativa privada também contribuem com fundos próprios e parcerias. Outras fontes incluíram o Fundo Amazônia, o Fundo do Clima e o Bônus Verde.

Em resumo, o significado desse legado é profundo, as obras que ficam, não apenas como “cenografia” que serviram a conferência do clima — representaram transformações estruturais na cidade e podem ter efeitos duradouros, melhoraram a mobilidade urbana, facilitando deslocamentos, reduzindo congestionamentos e conectando bairros, o que beneficiou e beneficia moradores permanentemente, reduziram partes de problemas crônicos históricos como enchentes, alagamentos e falta de saneamento, especialmente em áreas vulneráveis — algo que impacta saúde pública e qualidade de vida, criação dos espaços públicos de convivência, lazer e cultura, valorizando o patrimônio histórico (como no caso do Mercado de São Brás), além de oferecer áreas verdes e de lazer para a população, estruturaram Belém como porta de entrada moderna e preparada para turismo e eventos internacionais, com aeroporto e porto mais eficientes e integrados, potencializam o desenvolvimento de turismo, cultura e bioeconomia, oferecendo infraestrutura para museus, centros de inovação, e fomentando atividades econômicas ligadas à Amazônia.

Contudo, as criticas a Belém ou qualquer cidade da Amazônia em realizar uma atividade ou evento dessa magnitude não era apenas por conta de Belém não ter estrutura para sediar tal evento, o que existia por trás além da xenofobia, do preconceito e da hostilidade ao povo da Amazônia e da Região Norte, era também pelos recursos e o legado que um evento desse porte pode e trás pra quem sedia. O fato é que enquanto amazônidas e paraenses o evento levantou o orgulho paraense no posto mais auto em sediar com autoridade o debate do clima, no qual não existe mais ninguém com tanta autoridade política e social para debater clima, meio ambiente sem ser o povo amazônida que constrói o Brasil nesse território importante e estratégico do nosso país.

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