Correios mantém greve após rejeição de proposta, com nova assembleia dia 7

Ao menos 17 sindicatos filiados à FENTECT recusaram acordo mediado pelo TST e aprovaram paralisação nacional, cobrando reajuste digno e solução para a crise da estatal

Assembleia do Sintect-SP nesta terça (23) decidiu pela continuidade da greve de trabalhadores dos Correios.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) informou que 17 sindicatos filiados rejeitaram a proposta apresentada pela direção dos Correios e resolveram manter a greve por tempo indeterminado, com retomada às 22h desta terça-feira (23). Segundo a entidade, os trabalhadores só retornarão aos postos quando as reivindicações forem atendidas.

A decisão segue orientação da federação e foi tomada após reunião de conciliação mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), na qual a categoria considerou insuficiente o acordo proposto pela estatal.

Em São Paulo, uma assembleia lotada reafirmou a continuidade da paralisação e marcou nova reunião da categoria para o dia 7 de janeiro de 2026, às 19h, na quadra da Escola de Samba Unidos do Peruche. A direção sindical afirma que a mobilização e a unidade da base serão decisivas para pressionar a empresa e o governo por um acordo coletivo considerado justo pelos trabalhadores.

Leia também: Trabalhadores dos Correios decidem na terça (23) rumos da paralisação

Adesão cresce apesar de liminar do TST

A expectativa da Fentect é de que o movimento ganhe ainda mais força após as assembleias realizadas nesta terça-feira. Na paralisação aprovada na semana passada, a adesão foi de cerca de 70% dos trabalhadores.

Mesmo com a liminar, sindicatos como o Sintect-SP decidiram manter a greve. “A categoria de São Paulo não aceitou a proposta nem a liminar e continuamos em greve”, afirmou Elias Diviza, presidente do sindicato no estado. Ele ainda relatou que os trabalhadores estão indo, em pleno Natal, em caravana à Brasília, para tentar falar com o presidente Lula.

Proposta dos Correios é considerada insuficiente

A proposta apresentada pela empresa prevê reajuste salarial de 5,13%, com vigência a partir de janeiro de 2026 e pagamento apenas em abril do mesmo ano, com valores retroativos. Também inclui a reposição integral da inflação medida pelo INPC no período de agosto de 2025 a julho de 2026, a ser incorporada aos salários somente em agosto de 2026.

O acordo garantiria ainda a manutenção de direitos como 70% do pagamento das férias, a entrega matutina e o plano de saúde nos moldes atuais, além de vigência de dois anos. Para os sindicatos em greve, no entanto, o índice proposto e a ausência de avanços em benefícios — como o chamado “vale-peru” — não atendem às perdas acumuladas da categoria.

Crise financeira e cobrança ao governo

A manutenção da greve ocorre em meio ao processo dos Correios para buscar um empréstimo de R$ 12 bilhões com o objetivo de cobrir prejuízos financeiros. As entidades sindicais afirmam que os trabalhadores não podem ser responsabilizados pela crise da estatal.

Segundo a Fentect, há cobrança por maior diálogo e atuação mais firme do governo federal para resolver a situação da empresa, evitando demissões, arrocho salarial e retirada de direitos. Os sindicatos atribuem parte do atual cenário ao que classificam como desmonte e má gestão em administrações anteriores, especialmente nos governos Temer e Bolsonaro.

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