Norte-americanos pagam 96% da conta do “tarifaço” de Trump, aponta estudo
Pesquisa do Instituto alemão Kiel revela que os exportadores estrangeiros absorveram apenas 4% do ônus tarifário dos EUA
Publicado 22/01/2026 12:59 | Editado 23/01/2026 18:39
A política protecionista da administração de Donald Trump, baseada na premissa de que as tarifas de importação seriam pagas por governos e empresas estrangeiras, sofreu um duro revés. Um estudo detalhado do Instituto Kiel para a Economia Mundial (IfW Kiel), da Alemanha, revela que o custo dessas taxas recaiu quase inteiramente sobre os ombros dos próprios consumidores e importadores norte-americanos.
De acordo com o documento “Gol Contra dos EUA: Quem Paga as Tarifas?” (“America’s Own Goal: Who Pays the Tariffs?”), os exportadores estrangeiros absorveram apenas 4% do ônus das tarifas. Os outros 96% foram repassados diretamente para os preços finais nos Estados Unidos, funcionando, na prática, como um imposto sobre o consumo doméstico.
O mito do pagamento estrangeiro
A análise do Instituto Kiel utilizou 25 milhões de registros de remessas que cobrem US$ 4 trilhões em comércio. O resultado aponta que o Tesouro dos EUA arrecadou cerca de US$ 200 bilhões extras em 2025. Esse montante representou uma transferência de riqueza dos cidadãos americanos para o governo, e não uma cobrança sobre nações estrangeiras.
A Casa Branca acreditava que as tarifas forçariam os países exportadores a baixarem seus preços, mas os dados mostram que ocorreu o oposto. O estudo revela que o mercado global foi resiliente. Exportadores de países como Brasil e Índia mantiveram os preços unitários e redirecionaram o excedente para outros blocos comerciais em vez de cederem às pressões. Os preços de exportação permaneceram estáveis mesmo com tarifas agressivas de 50% sobre produtos brasileiros e indianos. Os custos alfandegários foram repassados para os importadores e deixaram o comprador estadunidense com preços inflacionados ou com desabastecimento.
O acerto da previsão: o ônus recaiu sobre os EUA
Os dados corroboram os alertas feitos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), ainda em meados de 2025, de que “os Estados Unidos seriam os principais prejudicados”. A estimativa da CNI de uma queda de 0,37% no PIB dos EUA confirmou-se como o maior impacto negativo entre as nações envolvidas.
O custo das barreiras drenou o dinamismo da economia estadunidense e foi maior que as perdas dos parceiros comerciais. Como os EUA são dependentes de insumos globais, a sobretaxa encarece a produção doméstica, tornando os produtos “made in USA” menos competitivos no mercado global e mais caros internamente.