Em Salvador, Lula exalta inclusão social ao anunciar entregas do Novo PAC Saúde

Presidente destaca investimentos bilionários no SUS, critica desigualdades históricas e afirma viver “o melhor momento” do mandato ao priorizar quem nunca teve oportunidade

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de entrega de ambulâncias do SAMU, equipamentos para unidades de saúde e equipamentos cirúrgicos no âmbito do Novo PAC Saúde. Salvador - BA. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira (6) da cerimônia de anúncio e entrega de ações do Novo PAC Saúde, combinando resultados concretos de políticas públicas com um discurso de forte carga política e social. O evento incluiu a entrega de ambulâncias do SAMU, vans odontológicas, equipamentos hospitalares e a visita às Obras Sociais Irmã Dulce, referência nacional em atendimento humanizado pelo SUS.

Diante de prefeitos, ministros, parlamentares e profissionais da saúde, Lula afirmou viver “o melhor momento” de sua vida política aos 80 anos, associando esse sentimento à possibilidade de governar novamente com foco explícito na inclusão social. “Estamos pensando naqueles que nunca tiveram oportunidade”, disse, ao justificar o volume de recursos destinados à saúde pública.

Novo PAC Saúde e a reconstrução do Estado

No centro do discurso, Lula apresentou o Novo PAC como eixo estruturante da retomada do crescimento e da credibilidade do Estado. Segundo o presidente, o programa mobiliza R$ 1,8 trilhão em investimentos públicos e privados, dos quais R$ 45 bilhões já foram executados apenas na Bahia. Nacionalmente, o governo afirma já ter alcançado quase 70% de execução do PAC.

Para Lula, esses investimentos não são “gasto”, mas condição para o desenvolvimento. “Não tem mágica em política econômica. É estabilidade fiscal, econômica, social, jurídica e previsibilidade”, afirmou, rebatendo críticas do mercado financeiro. Ele vinculou os investimentos à melhora de indicadores como crescimento do PIB acima de 3%, queda do desemprego, aumento da massa salarial e entrada recorde de investimentos externos.

Saúde como política de dignidade

O presidente deu destaque especial às ações do Novo PAC Saúde, que prevê R$ 31,5 bilhões em obras, equipamentos e veículos para o SUS. Em Salvador, foi anunciada a compra de 2,1 mil veículos para transporte de pacientes — entre ambulâncias, vans e micro-ônibus — com investimento de R$ 815 milhões, além da aquisição de tomógrafos, unidades odontológicas móveis e combos cirúrgicos.

Lula ressaltou que o objetivo central é reduzir filas, acelerar diagnósticos e garantir acesso a especialistas, um gargalo histórico do SUS. “O povo não morre mais por falta de remédio, mas ainda morre por falta de especialista”, afirmou, ao lembrar que a ideia do programa Agora Tem Especialistas vem sendo amadurecida desde 2012.

A saúde bucal foi tratada como “profissão de fé” pelo presidente. Segundo ele, garantir tratamento odontológico é devolver autoestima, convívio social e cidadania. “Não quero que ninguém deixe de sorrir por vergonha de abrir a boca”, disse.

SUS, pandemia e memória recente

Lula também fez um contraponto direto com o período da pandemia de Covid-19, exaltando o papel do SUS e criticando a condução do governo anterior. Sem citar nomes, lembrou o negacionismo, a falta de oxigênio em Manaus e o atraso na vacinação. “Se não fosse o SUS, esse país estava acabado”, afirmou, atribuindo ao sistema público de saúde a contenção de uma tragédia ainda maior.

Nesse ponto, o presidente reforçou a defesa do SUS como política de Estado e não de governo, lembrando que o sistema foi atacado desde sua criação, mas se mostrou essencial em momentos críticos.

Economia, trabalho e redistribuição

Ao relacionar saúde e economia, Lula destacou o reajuste real do salário mínimo, a isenção do imposto de renda para rendas mais baixas e a valorização do trabalho. Citou como símbolo o recebimento de contracheques sem desconto de IR por servidores, classificando a medida como um “14º salário” para quem ganha até R$ 5 mil.

Segundo o presidente, essas políticas explicam a redução da inflação acumulada, a ampliação do consumo e o fortalecimento do mercado interno. “É dar às pessoas mais humildes o direito de serem cidadãos de primeira categoria”, resumiu.

Um discurso contra a mentira e a desigualdade

O tom político se intensificou quando Lula afirmou que 2026 será “o ano da verdade”, marcado pela disputa entre fatos e mentiras. Ele criticou a desinformação, o uso político da fé e a naturalização da violência, defendendo comparação objetiva entre indicadores dos seus governos e os períodos posteriores ao impeachment de Dilma Rousseff.

Também abordou temas como violência contra a mulher, educação integral, creches, regulação das apostas online e a necessidade de um pacto civilizatório baseado em direitos e informação.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de entrega de ambulâncias do SAMU, equipamentos para unidades de saúde e equipamentos cirúrgicos no âmbito do Novo PAC Saúde. Salvador – BA. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Bahia como vitrine do projeto

A Bahia foi apresentada como vitrine desse projeto de reconstrução. Além das entregas do Novo PAC Saúde, o estado receberá novos serviços de alta complexidade, policlínicas regionais, equipamentos para UBS e investimentos que, segundo o governo, somam o maior pacote de saúde já destinado ao território baiano.

Ao encerrar, Lula combinou memória pessoal e compromisso político. Relembrou a infância marcada pela pobreza e a educação recebida da mãe, dona Lindu, como fundamento de sua visão de mundo. “Eu ainda tenho muito compromisso com o povo pobre desse país”, afirmou — conectando sua trajetória individual à narrativa de um governo que aposta no Estado, na inclusão social e no SUS como pilares do desenvolvimento.

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