Em Salvador, Lula exalta inclusão social ao anunciar entregas do Novo PAC Saúde
Presidente destaca investimentos bilionários no SUS, critica desigualdades históricas e afirma viver “o melhor momento” do mandato ao priorizar quem nunca teve oportunidade
Publicado 06/02/2026 17:51 | Editado 09/02/2026 14:49
Em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira (6) da cerimônia de anúncio e entrega de ações do Novo PAC Saúde, combinando resultados concretos de políticas públicas com um discurso de forte carga política e social. O evento incluiu a entrega de ambulâncias do SAMU, vans odontológicas, equipamentos hospitalares e a visita às Obras Sociais Irmã Dulce, referência nacional em atendimento humanizado pelo SUS.
Diante de prefeitos, ministros, parlamentares e profissionais da saúde, Lula afirmou viver “o melhor momento” de sua vida política aos 80 anos, associando esse sentimento à possibilidade de governar novamente com foco explícito na inclusão social. “Estamos pensando naqueles que nunca tiveram oportunidade”, disse, ao justificar o volume de recursos destinados à saúde pública.
Novo PAC Saúde e a reconstrução do Estado
No centro do discurso, Lula apresentou o Novo PAC como eixo estruturante da retomada do crescimento e da credibilidade do Estado. Segundo o presidente, o programa mobiliza R$ 1,8 trilhão em investimentos públicos e privados, dos quais R$ 45 bilhões já foram executados apenas na Bahia. Nacionalmente, o governo afirma já ter alcançado quase 70% de execução do PAC.
Para Lula, esses investimentos não são “gasto”, mas condição para o desenvolvimento. “Não tem mágica em política econômica. É estabilidade fiscal, econômica, social, jurídica e previsibilidade”, afirmou, rebatendo críticas do mercado financeiro. Ele vinculou os investimentos à melhora de indicadores como crescimento do PIB acima de 3%, queda do desemprego, aumento da massa salarial e entrada recorde de investimentos externos.
Saúde como política de dignidade
O presidente deu destaque especial às ações do Novo PAC Saúde, que prevê R$ 31,5 bilhões em obras, equipamentos e veículos para o SUS. Em Salvador, foi anunciada a compra de 2,1 mil veículos para transporte de pacientes — entre ambulâncias, vans e micro-ônibus — com investimento de R$ 815 milhões, além da aquisição de tomógrafos, unidades odontológicas móveis e combos cirúrgicos.
Lula ressaltou que o objetivo central é reduzir filas, acelerar diagnósticos e garantir acesso a especialistas, um gargalo histórico do SUS. “O povo não morre mais por falta de remédio, mas ainda morre por falta de especialista”, afirmou, ao lembrar que a ideia do programa Agora Tem Especialistas vem sendo amadurecida desde 2012.
A saúde bucal foi tratada como “profissão de fé” pelo presidente. Segundo ele, garantir tratamento odontológico é devolver autoestima, convívio social e cidadania. “Não quero que ninguém deixe de sorrir por vergonha de abrir a boca”, disse.
SUS, pandemia e memória recente
Lula também fez um contraponto direto com o período da pandemia de Covid-19, exaltando o papel do SUS e criticando a condução do governo anterior. Sem citar nomes, lembrou o negacionismo, a falta de oxigênio em Manaus e o atraso na vacinação. “Se não fosse o SUS, esse país estava acabado”, afirmou, atribuindo ao sistema público de saúde a contenção de uma tragédia ainda maior.
Nesse ponto, o presidente reforçou a defesa do SUS como política de Estado e não de governo, lembrando que o sistema foi atacado desde sua criação, mas se mostrou essencial em momentos críticos.
Economia, trabalho e redistribuição
Ao relacionar saúde e economia, Lula destacou o reajuste real do salário mínimo, a isenção do imposto de renda para rendas mais baixas e a valorização do trabalho. Citou como símbolo o recebimento de contracheques sem desconto de IR por servidores, classificando a medida como um “14º salário” para quem ganha até R$ 5 mil.
Segundo o presidente, essas políticas explicam a redução da inflação acumulada, a ampliação do consumo e o fortalecimento do mercado interno. “É dar às pessoas mais humildes o direito de serem cidadãos de primeira categoria”, resumiu.
Um discurso contra a mentira e a desigualdade
O tom político se intensificou quando Lula afirmou que 2026 será “o ano da verdade”, marcado pela disputa entre fatos e mentiras. Ele criticou a desinformação, o uso político da fé e a naturalização da violência, defendendo comparação objetiva entre indicadores dos seus governos e os períodos posteriores ao impeachment de Dilma Rousseff.
Também abordou temas como violência contra a mulher, educação integral, creches, regulação das apostas online e a necessidade de um pacto civilizatório baseado em direitos e informação.

Bahia como vitrine do projeto
A Bahia foi apresentada como vitrine desse projeto de reconstrução. Além das entregas do Novo PAC Saúde, o estado receberá novos serviços de alta complexidade, policlínicas regionais, equipamentos para UBS e investimentos que, segundo o governo, somam o maior pacote de saúde já destinado ao território baiano.
Ao encerrar, Lula combinou memória pessoal e compromisso político. Relembrou a infância marcada pela pobreza e a educação recebida da mãe, dona Lindu, como fundamento de sua visão de mundo. “Eu ainda tenho muito compromisso com o povo pobre desse país”, afirmou — conectando sua trajetória individual à narrativa de um governo que aposta no Estado, na inclusão social e no SUS como pilares do desenvolvimento.