Cuba condena expulsão de missão diplomática pelo Equador
Havana chama medida de “arbitrária e injustificada”, diz que diplomatas cumpriram Convenção de Viena e associa decisão às pressões dos EUA sobre governos da região
Publicado 05/03/2026 08:25 | Editado 05/03/2026 14:16
O governo de Cuba reagiu nesta quarta-feira (4) à decisão do Equador de expulsar todo o corpo diplomático da ilha em Quito e classificou a medida como “arbitrária e injustificada”.
Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores cubano afirmou que a decisão anunciada pelo governo de Daniel Noboa representa um ato “inamistoso e sem precedentes” e prejudica as relações históricas de cooperação entre os dois países.
A expulsão foi comunicada por meio de nota do Ministério das Relações Exteriores e Mobilidade Humana do Equador, que declarou persona non grata o embaixador cubano Basilio Antonio Gutiérrez García e todo o pessoal diplomático, consular e administrativo da missão no país.
Quito concedeu prazo de 48 horas para que os diplomatas deixem o território equatoriano.
O governo equatoriano informou que a medida foi adotada com base no artigo 9 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que permite a um Estado declarar diplomatas estrangeiros persona non grata. As autoridades, no entanto, não detalharam publicamente os motivos da decisão.
Havana afirmou que o pessoal da embaixada cubana em Quito cumpriu “estritamente” as leis e regulamentos equatorianos e não interferiu nos assuntos internos do país, como determina a Convenção de Viena de 1961.
No comunicado, a chancelaria cubana também associou a decisão ao contexto de pressões exercidas pelos Estados Unidos sobre governos da região para que adotem posições hostis contra a ilha.
Segundo Havana, a medida foi anunciada poucos dias antes de uma cúpula convocada em Miami para 7 de março, que reunirá um grupo de governos latino-americanos alinhados à política externa de Washington.