Aliado de Donald Trump, Daniel Noboa tenta interferir nas eleições colombianas
Sem provas, Noboa acusa Gustavo Petro de “incursão guerrilheira”; Petro reage, denuncia mentiras e tensão entre países escala
Publicado 30/04/2026 09:53 | Editado 30/04/2026 11:13
A um mês da eleição presidencial na Colômbia, o presidente do Equador, Daniel Noboa, aliado de Donald Trump, tenta interferir no processo eleitoral colombiano ao acusar o governo de Gustavo Petro de ligação com guerrilheiros.
Nesta quarta-feira (29), Noboa afirmou, sem apresentar provas, que uma suposta “incursão” de guerrilheiros pela fronteira norte estaria sendo promovida pelo governo de Petro, o que levou o presidente colombiano a reagir, classificar as declarações como “mentiras” e desafiá-lo a um encontro na fronteira.
“Várias fontes nos informaram de uma incursão pela fronteira norte de guerrilheiros colombianos, impulsionada pelo governo de Petro”, acusou Noboa em uma publicação nas redes sociais.
A declaração foi feita sem detalhamento sobre local, data ou evidências da suposta incursão, o que aprofundou a tensão entre os dois países e a percepção de interferência no processo eleitoral em um momento de escalada política, comercial e militar.
A reação de Gustavo Petro veio poucas horas depois, também pelas redes sociais.
O presidente colombiano negou as acusações e respondeu diretamente ao mandatário equatoriano, afirmando: “Vá até a fronteira norte e se encontre comigo, e construiremos a paz desses territórios; deixe de acreditar em mentiras”.
Nos últimos dias, o presidente equatoriano mentiu ao dizer que o mandatário colombiano teria mantido vínculos com o narcotraficante José Adolfo Macías Villamar, conhecido como “Fito”, apontado como chefe da organização criminosa Los Choneros, uma das principais estruturas do crime organizado no Equador.
A acusação, mais uma vez, não foi acompanhada de provas. Petro rejeitou a alegação e afirmou que ela se baseia em interpretações frágeis de relatórios de inteligência. O presidente colombiano detalhou que a narrativa apresentada por autoridades equatorianas se apoia em supostos “movimentos estranhos” de sua equipe de segurança.
Em tom crítico, Petro acrescentou que os deslocamentos mencionados eram atividades rotineiras: “Os movimentos estranhos são me levarem comida e a pessoa que me ajuda na redação do meu livro”.
O episódio se soma a uma série de confrontos recentes entre Bogotá e Quito, que já vinham se deteriorando desde o início de 2026 com a imposição de tarifas comerciais pelo Equador.
Inicialmente fixadas em 30%, as taxas foram ampliadas progressivamente até atingir 100% sobre diversos produtos colombianos, com entrada em vigor prevista para 1º de maio. A Colômbia respondeu com medidas equivalentes, intensificando a disputa econômica entre os dois países.
Em março, o governo equatoriano admitiu a realização de bombardeios em áreas próximas à Colômbia, em meio ao aprofundamento da cooperação militar com os Estados Unidos e a intensificação das operações contra grupos armados na região.
Outro ponto de atrito é o caso do ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, preso por corrupção. Petro o classificou como “preso político”, enquanto o governo equatoriano considerou a declaração uma ingerência em assuntos internos.