Subordinação de Milei à Casa Branca escala com aceno de tropas ao Irã

Apesar de rejeição majoritária e limites militares, porta-voz admite apoio argentino se Washington pedir; Irã reage e fala em “linha vermelha imperdoável”

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Em meio ao agravamento da crise econômica e à deterioração das condições de vida na Argentina, o governo de Javier Milei acenou com a possibilidade de enviar tropas para apoiar os Estados Unidos na guerra contra o Irã.

A declaração, feita pelo porta-voz Javier Lanari na última quarta-feira (18), reforça o alinhamento de Buenos Aires com Washington e Israel e ocorre apesar das limitações militares e da rejeição majoritária da população ao conflito

“Se os Estados Unidos solicitarem, sim. Qualquer ajuda que considerarem será dada”, afirmou Lanari em entrevista ao jornal espanhol El Mundo.

A fala do porta-voz ocorreu após uma sequência de posicionamentos públicos do próprio Milei em relação ao Irã. 

Em 9 de março, durante discurso na Universidade Yeshiva, em Nova York, o presidente classificou o país como “inimigo” da Argentina e vinculou aposição à sua aliança estratégica com Estados Unidos e Israel. 

Dias depois, ao participar do ato pelos 34 anos do atentado à embaixada de Israel em Buenos Aires, voltou a reforçar esse eixo político e afirmou que “não pode haver trégua diante do terrorismo”.

A possibilidade de envolvimento militar argentino, embora ainda condicionada a um pedido formal de Washington, insere pela primeira vez um partido latino-americano no contexto da guerra de agressão iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o território iraniano mesmo com negociações em curso. 

Desde então, Teerã passou a responder militarmente, ampliando o conflito no Oriente Médio e levando o governo norte-americano a buscar apoio de aliados para sustentar a ofensiva.

Até o momento, nenhum país europeu anunciou adesão formal à guerra. Lideranças como a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni afirmaram que o conflito “não é sua guerra”, marcando uma diferença em relação à postura adotada por Buenos Aires. 

O governo argentino vem reforçando nos últimos meses seu alinhamento com Washington, participando da cúpula do chamado Escudo das Américas, realizada na Flórida, e solicitando, em 2024, a condição de parceiro global da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A sinalização de um eventual apoio militar argentino ocorre em um cenário de crise econômica e restrições estruturais. 

Dados divulgados pela consultoria Zuban Córdoba indicam que 72,7% dos argentinos são contra a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, enquanto apenas 14,2% se posicionam favoravelmente. Entre eleitores de Milei no segundo turno de 2023, a rejeição também é majoritária, com 53,4% contrários ao conflito.

Além da rejeição popular, o próprio aparato militar argentino enfrenta limitações. Informações do ministério da Defesa indicam que a frota disponível — composta por três destróieres e seis corvetas — não está em condições de realizar operações prolongadas fora do território nacional sem riscos técnicos, após anos de restrições orçamentárias e falta de manutenção. 

Apesar disso, integrantes do governo mantêm a disposição de contribuir com apoio logístico, aviões ou navios, caso haja solicitação dos Estados Unidos ou de Israel. 

O governo iraniano afirmou que a Argentina cruzou uma “linha vermelha imperdoável” ao se alinhar à ofensiva militar liderada por Washington e Tel Aviv. 

Em artigo publicado pelo jornal Tehran Times, Teerã classificou as declarações de Milei como “insultantes e hostis” e afirmou que prepara uma “resposta proporcional” diante do que chamou de mudança de postura da Argentina no cenário internacional.

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