Sob pressão, Trump recua e suspende ataques ao Irã por cinco dias

Após ultimato de 48 horas, EUA suspendem ofensiva contra energia iraniana; Teerã aponta manobra para conter crise do petróleo e reafirma resposta à agressão

Donald Trump | Foto: Chip Somodevilla / POOL

Sob pressão da resistência iraniana, escalada militar e do impacto da guerra no mercado de energia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (23) a suspensão por cinco dias dos ataques à infraestrutura energética do Irã, poucas horas antes do fim do ultimato de 48 horas imposto a Teerã.

“Tenho o prazer de informar que os Estados Unidos e o Irã tiveram, ao longo dos dois últimos dias, conversas muito positivas e produtivas sobre a resolução total de nossas hostilidades no Oriente Médio”, publicou Trump nesta segunda-feira (23).

Segundo ele, “em vista do tom dessas conversas profundas, detalhadas e construtivas, que continuarão ao longo de toda a semana”, decidiu “adiar todos os ataques militares contra usinas elétricas e infraestrutura energética iraniana por um período de cinco dias”.

O anúncio ocorre em meio à alta dos preços de petróleo e gás, que já pressiona a inflação nos Estados Unidos e amplia o desgaste interno da Casa Branca, enquanto a resistência iraniana e sua capacidade de resposta diante da maior potência militar do mundo — apoiada por Israel — elevam o custo político e econômico da ofensiva.

A decisão, apresentada por Washington como resultado de negociações, é interpretada pelo governo iraniano como um recuo tático diante da ameaça de retaliação e da instabilidade provocada pela própria ofensiva norte-americana na região.

A chancelaria iraniana rejeitou a versão de negociações diretas e afirmou que “as declarações do presidente dos Estados Unidos estão no âmbito dos esforços para reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar seus planos militares”.

Também indicou que há mediações em curso, mas ressaltou: “há iniciativas de países da região para reduzir as tensões, e nossa resposta a todas elas é clara: não somos a parte que iniciou esta guerra, e todos esses pedidos devem ser encaminhados por Washington.”

A posição reflete a desconfiança de Teerã, uma vez que a guerra de agressão dos Estados Unidos e Israel contra o país pérsa teve início em meio a negociações formais entre os dois países sobre o programa nuclear iraniano.

No último sábado (21). Trump afirmou que “se o Irã não abrir completamente, sem ameaças o Estreito de Ormuz, dentro de 48 horas, a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América irão atacar e obliterar várias de suas usinas de energia, começando pela maior delas”.

O prazo expiraria nesta segunda-feira, no mesmo dia em que Washington anunciou a suspensão da ofensiva.

Teerã havia alertado que responderia a qualquer ataque com ações diretas contra alvos estratégicos na região, incluindo infraestrutura energética de Israel e áreas próximas a bases norte-americanas, além de admitir o fechamento do estreito, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

O governo iraniano afirmou que em caso de ataque a ilhas ou à costa do país, toda a infraestrutura energética de Israel e no entorno das bases norte-americanas na região seria considerada alvo. Teerã também advertiu que bloquearia completamente o Estreito de Ormuz, ameaçando atacar usinas de dessalinização na região do Golfo.

Em suas redes sociais, o chanceler Abbas Araghchi disse que, neste momento, o Estreito de Ormuz não está fechado. “Os navios hesitam porque as seguradoras temem a guerra de escolha que vocês iniciaram — não o Irã”, salientou.

A combinação entre a escalada militar, o risco de interrupção do fluxo energético global e a capacidade de resposta iraniana mantém o cenário instável, mesmo diante da suspensão temporária anunciada por Washington.

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