Agressão de Trump e Netanyahu ao Irã ameaça a economia global

Guerra no Oriente Médio provoca a maior interrupção de petróleo da história; Governo Lula adota medidas para conter inflação no Brasil

Caminhões petroleiros atingidos na guerra contra o Irã

O cenário geopolítico global sofre uma alteração drástica desde 28 de fevereiro, com o início das operações militares conjuntas conduzidas por Donald Trump e Benjamin Netanyahu contra o território iraniano. O conflito transcende a esfera regional e estabelece o que a Agência Internacional de Energia (IEA) classifica como a maior interrupção de oferta de petróleo da história contemporânea. Apenas no mês de março, a perda estimada foi de 8 milhões de barris por dia (mb/d) — unidade de medida que quantifica o volume de extração diária —, impactando diretamente as cadeias produtivas e os custos de transporte em escala mundial.

O mercado global de energia e o risco de estagflação

Dados do Oil Market Report de março de 2026 detalham que o bloqueio do Estreito de Ormuz, via por onde escoa 20% do suprimento global, reduziu o fluxo de produtos refinados do Golfo a níveis próximos de zero. A paralisação atingiu produtores estratégicos como Arábia Saudita e Iraque, resultando em uma retração de 10 mb/d na produção e o congelamento de 3 mb/d na capacidade de refino. Como consequência, o petróleo tipo Brent, que mantinha estabilidade na casa dos US$ 70, registrou picos superiores a US$ 119, consolidando um patamar de volatilidade acima de US$ 100.

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Instituições multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial projetam que a manutenção desses preços por um período prolongado pode elevar a inflação global em 2 pontos percentuais, reduzindo o crescimento do PIB mundial em 1 ponto percentual. Embora a IEA tenha liberado 400 milhões de barris de reservas emergenciais, a oferta global de 2026 deve ser sustentada majoritariamente por produtores fora da OPEP+, com destaque para Brasil, Guiana e Canadá, enquanto a demanda mundial foi revisada para baixo devido à retração industrial e de serviços aéreos.

Insegurança alimentar e o choque nos fertilizantes

A escalada bélica também ameaça a produção agrícola mundial ao comprometer o fornecimento de gás natural, insumo essencial para a síntese de fertilizantes nitrogenados. O Irã, importante polo de exportação de ureia, vê a capacidade produtiva e logística asfixiada pelo guerra, enquanto a Rússia, em resposta estratégica, restringiu as exportações para assegurar o mercado interno. Esse duplo choque na oferta de fertilizantes, somado à alta do diesel que encarece o frete internacional, coloca em risco o abastecimento de grãos e proteínas. 45 milhões de pessoas podem passar fome, segundo estimativa do Programa Mundial de Alimentos da ONU.

O alerta do setor financeiro e os impactos domésticos

A gravidade do choque petrolífero foi reforçada em análise recente por Larry Fink, CEO da BlackRock, a maior gestora de ativos e riscos do mundo, com US$ 11 trilhões. O executivo destacou que um cenário de petróleo a US$ 150 desencadearia uma recessão global acentuada, caracterizando a alta dos preços de energia como um imposto regressivo que penaliza severamente as populações de menor renda. No Brasil, o reflexo é observado no Boletim Focus de 23 de março, que elevou a projeção do IPCA para 4,17%, acima do teto da meta, e reajustou a taxa Selic para 12,5%, evidenciando a pressão do diesel sobre os custos logísticos e de alimentos.

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A resposta do governo Lula e a soberania energética

Apesar do recorde na produção nacional de petróleo, que alcançou 3,953 mb/d em janeiro de 2026 com o avanço do pré-sal, o Brasil ainda enfrenta vulnerabilidades no setor de refino, importando cerca de 25% a 30% do diesel consumido. Para mitigar a transmissão do choque externo aos preços internos, o governo Lula implementou um pacote de medidas emergenciais em 12 de março. As ações incluem a desoneração de PIS/Cofins sobre o diesel e a criação de uma subvenção econômica de R$ 0,32 por litro, financiada pelos royalties excedentes da valorização do óleo bruto.

Adicionalmente, foram estabelecidas alíquotas de exportação de 12% sobre o petróleo cru e 50% sobre o diesel exportado, visando garantir o abastecimento interno e incentivar o refino nacional, que atualmente opera próximo a 97% de sua capacidade. O planejamento estratégico do setor aponta agora para a necessidade de acelerar a transição energética e ampliar a autonomia no refino. Medidas como o aumento do biodiesel e o investimento em modais de transporte menos dependentes de combustíveis fósseis são apontadas como fundamentais para consolidar a soberania popular diante de crises provocadas por políticas externas de caráter belicista.