É hora de fazer as coisas acontecerem na relação Brasil-África, diz Lula
Fortalecimento da cooperação educacional e científica marcou a abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, no Dia da Libertação da África
Publicado 25/05/2026 15:05 | Editado 26/05/2026 17:11
O presidente Lula participou, nesta segunda-feira (25), da cerimônia de abertura do 1º Fórum de Reitores Brasil-África, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília (DF). A data é representativa por marcar o Dia da África, também conhecido como Dia da Libertação da África, e a fundação da Organização da Unidade Africana, em 1963.
Em seu discurso, Lula destacou que faz questão de celebrar o Dia da África todos os anos como presidente da República. Ele também felicitou a grande presença do corpo diplomático africano no encontro, além de 70 reitores brasileiros e 64 reitores africanos, de mais de 30 países.
Segundo o presidente, o fórum é um passo fundamental para fortalecer e expandir a cooperação, especialmente na área de educação.
“A educação é uma ferramenta para a superação de todos esses desafios. Por isso, em várias partes do mundo, a extrema direita não tolera a autonomia das universidades. Querem calar professores e estudantes e coibir a diversidade. Negam a ciência, censuram as artes e transformam as salas de aula em instrumento de dominação. O pensamento crítico caminha lado a lado com a luta anticolonial e o combate ao racismo, à misoginia, à xenofobia e todas as formas de discriminação. A extrema direita teme a educação porque sabe que é onde nasce a consciência”, afirmou Lula.
O Brasil mantém 235 acordos de cooperação com instituições de educação superior de 38 países africanos e busca aprofundar essa relação.
De acordo com Lula, a cooperação na área educacional com o continente africano também tem se ampliado no campo técnico, com o auxílio da Embrapa por meio do ensino a distância: “A África tem potencial para se tornar um grande produtor mundial de alimentos”, disse.

Por fim, além de pregar maior cooperação em diversas áreas com auxílio de ferramentas que permitam a conectividade, o presidente ainda pediu mais empenho dos gestores para tirar do papel os projetos.
“Nós vamos dedicar um tempo para fazer aquilo que está ao nosso alcance e que nós não fazemos porque sempre falamos que não temos tempo. O tempo é agora! Temos uma música muito famosa aqui no Brasil que diz: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Chegou a hora de fazer as coisas acontecerem na relação entre Brasil e África”, exaltou o presidente.
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No encontro, a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, observou que o intercâmbio acadêmico-científico entre o Brasil e a África é precioso pelos laços “incontornáveis” mantidos.
Ela ainda destacou que o governo Lula conseguiu renovar a lei de cota nas universidades, uma das políticas mais bem-sucedidas na proposta de ampliar o acesso, reduzir barreiras de exclusão e diversificar o sistema educacional.
“Quanto mais diversos forem os estudantes e professores, mais promissores serão os resultados. Por isso, também criamos o Programa de Intercâmbio Sul-Sul, que já passou por diversos países da África e da América Latina, promovendo troca de tecnologias e saberes ancorados na promoção das diretrizes da lei 10.639, que determina a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana em escolas públicas e privadas do ensino fundamental ao médio”, reiterou.
Já o ministro da Educação, Leonardo Barchini, ressaltou as ações para a atração de estudantes. Conforme o ministro, hoje o Brasil tem consolidado programas e convênios que permitem ao país contar com cerca de 4.300 estudantes bolsistas de graduação vindos de 27 países da África.
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Além disso, o Brasil conta com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), que promove ainda mais integração com os países com língua comum.
“A Unilab integra o Brasil aos demais países membros da comunidade dos países da Língua Portuguesa, a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), especialmente com nossos irmãos africanos, promovendo o desenvolvimento regional e intercâmbio cultural, científico e educacional. Hoje, são quase 3 mil estudantes africanos de diferentes nacionalidades na Unilab. Jovens de Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné Equatorial”, explicou Barchini.
A professora Astrigilda Silveira, reitora da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), salientou a importância do encontro para a geração de oportunidades: “Reafirmamos nosso firme compromisso com a cooperação acadêmica, capaz de aproximar ainda mais Brasil e África por meio da ciência, da juventude, da inovação e da esperança, na certeza de que, quando as universidades se unem, continentes aproximam-se, oportunidades multiplicam-se e o futuro ganha uma nova dimensão.”
O fórum acontece até o dia 27 de maio e visa consolidar a educação superior como eixo central das relações entre o Brasil e os países do continente africano. Ao final do evento, os reitores deverão aprovar a Carta de Brasília com as diretrizes sistematizadas do encontro.