Dona da Brastemp anuncia R$ 300 milhões e 200 vagas no Brasil após deixar a Argentina
Multinacional transferiu a linha de produção do país vizinho para o interior paulista
Publicado 28/05/2026 17:01 | Editado 28/05/2026 17:17
A Whirlpool S.A, dona de marcas como Brastemp, Consul e KitchenAid, anunciou na segunda-feira (25) o investimento de R$ 300 milhões para a ampliação da fábrica de Rio Claro, no interior de São Paulo, e a abertura de 200 postos de trabalho.
O movimento acontece após a empresa fechar a linha de produção em Pilar, na Argentina, e transferi-la para o Brasil, onde já fabrica máquinas de lavar de carga superior (top-loading) e também mantém o centro de pesquisa para lavadoras da multinacional, em que trabalham cem engenheiros. A unidade brasileira já conta com cerca de 4 mil funcionários.
Em abril, a Whirlpool já havia emitido comunicado sobre a saída da Argentina, com a transferência da produção de máquinas de lavar de carga frontal (front-loading) para o interior paulista, unificando as fabricações.
No mesmo comunicado, a empresa destacou que pretende transformar a unidade brasileira em um hub mundial de exportação. Para isso, investiria em robótica e inteligência artificial.
Na presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, a companhia realizou o lançamento de uma nova linha de lavadoras e fez os grandiosos anúncios de investimentos e contratações. Além das 200 contratações imediatas, estima-se que, com o tempo, o aumento da planta industrial e a ampliação das contratações de fornecedores locais façam com que até 2.800 empregos diretos e indiretos possam ser gerados.


Com a mudança, toda a fabricação de lavadoras de roupa das marcas Brastemp e Consul destinadas à América do Sul será realizada no Brasil. A previsão é de que em setembro a planta de Rio Claro já produza os aparelhos de abertura frontal e lava e seca, antes feitos em Pilar.
O vice-presidente de Cadeia de Suprimentos da Whirlpool, Vinicius Tokuda, destacou, entre os motivos para a mudança, ganhos de produtividade e de competitividade, por meio da otimização de custo fixo.
Em outras palavras, a multinacional busca expandir os negócios ao passo que aumenta a margem de lucro e o Brasil oferece as condições para isso acontecer, com previsibilidade e controle econômico.
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Uma situação totalmente diferente da Argentina no governo de Javier Milei. Por lá, a inflação segue alta e instável, o câmbio se mantém tensionado com a falta de reservas em dólares, falta previsibilidade para fazer importações e garantir a logística, o que afeta a linha de produção. Assim, a situação calamitosa dos “hermanos” impedia que a empresa aumentasse a escala e a deixava sujeita às fragilidades intrínsecas ao país.
Como já indicou o Portal Vermelho à época do anúncio do fechamento da unidade de Pilar, a Argentina teve 22 mil empresas fechadas durante a gestão Milei, número superior ao visto na pandemia de covid-19.
Entre as multinacionais que deixaram o país ou venderam a operação nos últimos dois anos, estão: Telefónica, ExxonMobil, Mercedes-Benz, Clorox, P&G e HSBC. Já a Alsea busca compradores para a operação do Burger King e o Carrefour desistiu de tentar vender suas lojas, pois não encontrou compradores que alcançassem o valor mínimo desejado.