Sánchez lidera no Peru e decisão final deve repetir demora do 1º turno

Margem de 0,14 ponto percentual estende contagem do segundo turno até meados de julho para análise de atas contestadas

Apuração demora cerca de 30 dias. Foto: Agência Andina

O Peru ainda vai demorar a conhecer seu próximo presidente. A contagem oficial do segundo turno das eleições avança, mas o resultado final segue formalmente indefinido e deve arrastar o país para um cenário de longa espera institucional.

Segundo a última atualização da Oficina Nacional de Procesos Electorales (Onpe), o deputado Roberto Sánchez Palomino, do Juntos por el Perú, de esquerda, abriu uma vantagem mínima sobre a ultradireitista Keiko Fujimori, da Fuerza Popular. Sánchez registra 50,068% dos votos válidos, contra 49,932% da candidata de direita. A diferença é de apenas 24.485 votos — menos de 0,14 ponto percentual —, o que mantém o pleito sem um vencedor oficial e exige a apuração minuciosa de cada ata pendente.

Diante deste cenário, as autoridades eleitorais indicam que a totalização oficial da disputa exigirá paciência. O presidente do Jurado Nacional de Elecciones (JNE), Roberto Burneo, sinalizou que o prazo para a proclamação oficial do novo presidente do Peru pode demorar até 30 dias.

Fontes diplomáticas e técnicas do país apontam que a declaração do vencedor deve ocorrer apenas em meados de julho, restando ainda entre três e cinco semanas de análises jurídicas e contagem voto a voto. O processo envolve a validação de mais de 1,5 mil atas enviadas para revisão nos Jurados Electorales Especiales (JEE), além do processamento de votos do exterior e de atas contestadas pelos partidos.

Esse cronograma repete o padrão de lentidão observado no primeiro turno do pleito presidencial peruano, realizado em meados de abril. Naquela ocasião, o JNE levou 34 dias para oficializar o resultado e confirmar os nomes de Sánchez e Fujimori na etapa final, emitindo a proclamação apenas em 17 de maio. 

Enquanto no primeiro turno o atraso foi motivado pelo número recorde de candidatos na cédula e por problemas logísticos regionais, a demora no segundo turno decorre do rigor técnico exigido pela margem histórica estreita entre os dois concorrentes, o que intensifica a fiscalização de cada partido nos tribunais.

O voto das populações do interior do Peru

A virada de Sánchez na contagem reflete a consolidação do voto nas regiões andinas e no meio rural, onde o candidato de esquerda possui suas principais bases de apoio e superou a liderança inicial de Fujimori, impulsionada pelos votos da capital Lima e das áreas costeiras. 

Sánchez, psicólogo de 57 anos e ex-ministro de Comércio Exterior e Turismo no governo de Pedro Castillo, tenta consolidar a vitória da coalizão progressista contra a líder do Fuerza Popular, que disputa a presidência pela quarta vez. O Peru possui um histórico recente de forte judicialização eleitoral e instabilidade política, o que eleva a importância do acompanhamento direto pelas plataformas oficiais da ONPE e do JNE até o encerramento total dos recursos jurídicos.

Coalizão de esquerda apoia campanha de Sánchez

A coalizão Juntos por el Perú (JP), que sustenta a candidatura presidencial de Roberto Sánchez, atua no segundo turno como uma frente única progressista de base socialista e democrática. De acordo com os registros do Jurado Nacional de Elecciones (JNE), a aliança –  que em sua origem reuniu partidos de matriz social-democrata, movimentos sindicais e frentes camponesas – consolidou uma plataforma voltada à descentralização política e à soberania sobre os recursos naturais do país.

Para consolidar a vantagem no interior rural e conter o avanço da Fuerza Popular, de Keiko Fujimori, a campanha de Sánchez garantiu um importante reforço político com a formalização do apoio do Partido Comunista del Perú – Patria Roja e de entidades sociais e sindicais, como a Federação de Professores (Sutep) e a Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru (CGTP).