Sánchez lidera no Peru e decisão final deve repetir demora do 1º turno
Margem de 0,14 ponto percentual estende contagem do segundo turno até meados de julho para análise de atas contestadas
Publicado 10/06/2026 13:50 | Editado 10/06/2026 14:35
O Peru ainda vai demorar a conhecer seu próximo presidente. A contagem oficial do segundo turno das eleições avança, mas o resultado final segue formalmente indefinido e deve arrastar o país para um cenário de longa espera institucional.
Segundo a última atualização da Oficina Nacional de Procesos Electorales (Onpe), o deputado Roberto Sánchez Palomino, do Juntos por el Perú, de esquerda, abriu uma vantagem mínima sobre a ultradireitista Keiko Fujimori, da Fuerza Popular. Sánchez registra 50,068% dos votos válidos, contra 49,932% da candidata de direita. A diferença é de apenas 24.485 votos — menos de 0,14 ponto percentual —, o que mantém o pleito sem um vencedor oficial e exige a apuração minuciosa de cada ata pendente.
Diante deste cenário, as autoridades eleitorais indicam que a totalização oficial da disputa exigirá paciência. O presidente do Jurado Nacional de Elecciones (JNE), Roberto Burneo, sinalizou que o prazo para a proclamação oficial do novo presidente do Peru pode demorar até 30 dias.
Fontes diplomáticas e técnicas do país apontam que a declaração do vencedor deve ocorrer apenas em meados de julho, restando ainda entre três e cinco semanas de análises jurídicas e contagem voto a voto. O processo envolve a validação de mais de 1,5 mil atas enviadas para revisão nos Jurados Electorales Especiales (JEE), além do processamento de votos do exterior e de atas contestadas pelos partidos.
Esse cronograma repete o padrão de lentidão observado no primeiro turno do pleito presidencial peruano, realizado em meados de abril. Naquela ocasião, o JNE levou 34 dias para oficializar o resultado e confirmar os nomes de Sánchez e Fujimori na etapa final, emitindo a proclamação apenas em 17 de maio.
Enquanto no primeiro turno o atraso foi motivado pelo número recorde de candidatos na cédula e por problemas logísticos regionais, a demora no segundo turno decorre do rigor técnico exigido pela margem histórica estreita entre os dois concorrentes, o que intensifica a fiscalização de cada partido nos tribunais.
O voto das populações do interior do Peru
A virada de Sánchez na contagem reflete a consolidação do voto nas regiões andinas e no meio rural, onde o candidato de esquerda possui suas principais bases de apoio e superou a liderança inicial de Fujimori, impulsionada pelos votos da capital Lima e das áreas costeiras.
Sánchez, psicólogo de 57 anos e ex-ministro de Comércio Exterior e Turismo no governo de Pedro Castillo, tenta consolidar a vitória da coalizão progressista contra a líder do Fuerza Popular, que disputa a presidência pela quarta vez. O Peru possui um histórico recente de forte judicialização eleitoral e instabilidade política, o que eleva a importância do acompanhamento direto pelas plataformas oficiais da ONPE e do JNE até o encerramento total dos recursos jurídicos.
Coalizão de esquerda apoia campanha de Sánchez
A coalizão Juntos por el Perú (JP), que sustenta a candidatura presidencial de Roberto Sánchez, atua no segundo turno como uma frente única progressista de base socialista e democrática. De acordo com os registros do Jurado Nacional de Elecciones (JNE), a aliança – que em sua origem reuniu partidos de matriz social-democrata, movimentos sindicais e frentes camponesas – consolidou uma plataforma voltada à descentralização política e à soberania sobre os recursos naturais do país.
Para consolidar a vantagem no interior rural e conter o avanço da Fuerza Popular, de Keiko Fujimori, a campanha de Sánchez garantiu um importante reforço político com a formalização do apoio do Partido Comunista del Perú – Patria Roja e de entidades sociais e sindicais, como a Federação de Professores (Sutep) e a Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru (CGTP).