Amorim vê apoio de Trump a Flávio com efeito favorável a Lula na campanha
O assessor especial da Presidência afirma que o Brasil está preparado para enfrentar ações ilegais que ele acredita não partirem do presidente norte-americano, mas de big techs
Publicado 23/06/2026 16:35 | Editado 23/06/2026 19:46
O assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, disse que o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) pode ter efeito oposto e, obviamente, favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha eleitoral.
Amorim falou sobre uma forte ingerência do presidente norte-americano na campanha da Colômbia, onde o candidato da extrema direita Abelardo de la Espriella despontou como vencedor na contagem inicial do órgão eleitoral colombiano, embora o resultado ainda não seja definitivo e a contagem passe por checagem. O atual presidente, Gustavo Petro, já questionou os formulários eleitorais e o sistema de contagem, enquanto a campanha de Iván Cepeda apresentou 57 mil reclamações contra o escrutínio oficial.
“No Brasil pode ter até o efeito contrário. Quando houve críticas e ataques [ao governo Lula por parte de Trump], essas atitudes ajudaram a popularidade do presidente Lula. Mas estamos mais prevenidos do que outras vezes para enfrentar eventuais ações ilegais, não digo de Trump, mas talvez de big techs”, disse ao UOL.
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Em referência ao governo de Jair Bolsonaro, o embaixador afirmou que no Brasil há uma situação diferente: “Temos vacinas de governos anteriores. No Brasil haverá capacidade de resistência”, diz.
Sobre a Colômbia, o ex-chanceler diz que o Brasil optará pelo pragmatismo se De la Espriella for confirmado como novo presidente. Ele diz que o país espera um relacionamento pragmático e não ideológico.
Amorim também reconhece o avanço da direita nas Américas. “Há movimento forte e indiscutível para a direita na região”, diz.
“É um movimento que se verifica na Europa com o crescimento da extrema direita. Tudo isso são mudanças sociais que ainda não foram totalmente compreendidas. Os sindicatos perderam força. Obviamente, a questão do crime organizado e da segurança pesa e é explorada de forma demagógica, procurando soluções técnicas que atraem. Também têm as big techs, que eliminam o discurso lógico em favor de meras mensagens de ódio”, avalia.