China reage aos EUA e sanciona empresas ligadas à indústria militar

Pequim restringe exportações para 10 empresas norte-americanas e veta compras de 46 grupos dos EUA após Washington ampliar lista de companhias chinesas sob sanções

O presidente chinês Xi Jinping e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante cerimônia oficial em Pequim Foto: Reprodução

A China anunciou nesta segunda-feira (22) um novo pacote de sanções contra empresas norte-americanas ligadas aos setores de defesa, drones, aeroespacial e minerais estratégicos. 

A medida é uma resposta direta à decisão do governo dos Estados Unidos de ampliar a chamada “Lista de Empresas Militares Chinesas”, utilizada por Washington para restringir a participação de companhias chinesas em contratos militares norte-americanos.

Em comunicado, o ministério do Comércio da China afirmou que a decisão tem como objetivo “salvaguardar a segurança nacional e os interesses do país” diante daquilo que classificou como a “expansão indevida da chamada Lista de Empresas Militares Chinesas”.

A partir de agora, empresas chinesas estão proibidas de exportar produtos de uso dual — aqueles que podem ter aplicações civis e militares — para dez companhias norte-americanas. A restrição também se aplica a empresas e indivíduos de terceiros países que pretendam transferir produtos de origem chinesa para essas corporações.

Entre as empresas atingidas estão fabricantes de drones militares, sistemas de radar, equipamentos marítimos e companhias ligadas à cadeia de minerais estratégicos e terras raras. 

A lista inclui Aveox, Red Cat Holdings, Teal Drones, IMSAR, Jaia Robotics, Ball Aerospace & Technologies, Oshkosh Defense, L3Harris Maritime Services, MP Materials e USA Rare Earth.

Em medida paralela, o ministério das Finanças da China proibiu órgãos governamentais de adquirir produtos de 46 empresas norte-americanas, entre elas subsidiárias dos gigantes militares Lockheed Martin, Raytheon e General Dynamics.

A ofensiva chinesa ocorre poucas semanas após o Pentágono incluir empresas como Alibaba e Baidu em sua lista de companhias supostamente vinculadas às Forças Armadas chinesas. 

A classificação impede essas empresas de disputar contratos militares nos Estados Unidos e foi contestada por Pequim.

Na ocasião, o ministério do Comércio chinês afirmou que Washington ignorou os entendimentos alcançados entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a visita de Trump a Pequim em maio.

Taiwan no centro da disputa

Embora o comunicado oficial não mencione diretamente Taiwan, especialistas chineses afirmam que a medida mira empresas envolvidas no fornecimento de armas e tecnologia militar para a ilha.

Segundo o especialista militar Zhang Junshe, ouvido pelo jornal estatal Global Times, as companhias sancionadas “não apenas venderam drones militares e outros equipamentos para Taiwan, como também participaram de cooperação tecnológica e militar profunda com as autoridades da ilha”.

“Apoiar forças separatistas favoráveis à independência de Taiwan prejudica a segurança nacional e os interesses centrais da China”, afirmou.

Diversas das empresas atingidas participaram nos últimos anos de feiras de defesa realizadas em Taipei e de missões comerciais organizadas pelos Estados Unidos para ampliar a cooperação militar com Taiwan.

Pequim considera Taiwan uma província chinesa e rejeita qualquer forma de apoio militar estrangeiro à ilha. A questão é tratada pelo governo chinês como um tema de soberania nacional e uma linha vermelha nas relações com Washington.

Disputa tecnológica e estratégica

As novas sanções também atingem duas empresas importantes do setor de terras raras dos Estados Unidos: MP Materials e USA Rare Earth. Esses minerais são essenciais para a fabricação de equipamentos eletrônicos avançados, veículos elétricos, radares, mísseis, aeronaves e sistemas militares.

Para autoridades e analistas chineses, a medida busca enfraquecer a cadeia de fornecimento utilizada pelos Estados Unidos para sustentar sua indústria de defesa e os programas de armamento destinados a Taiwan.

O professor Li Haidong, da Universidade de Relações Exteriores da China, afirmou que a decisão envia uma mensagem clara a Washington.

“A China fará tudo o que estiver ao seu alcance para enfraquecer as empresas que armam Taiwan e prejudicam os interesses centrais do país”, declarou.

As novas restrições aprofundam a disputa tecnológica e estratégica entre as duas maiores economias do mundo e sinalizam que a trégua diplomática construída após o encontro entre Xi e Trump em maio continua cercada de tensões, especialmente em temas considerados sensíveis por Pequim, como Taiwan e o desenvolvimento tecnológico chinês.

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