China reage aos EUA e sanciona empresas ligadas à indústria militar
Pequim restringe exportações para 10 empresas norte-americanas e veta compras de 46 grupos dos EUA após Washington ampliar lista de companhias chinesas sob sanções
Publicado 23/06/2026 10:26 | Editado 24/06/2026 11:47
A China anunciou nesta segunda-feira (22) um novo pacote de sanções contra empresas norte-americanas ligadas aos setores de defesa, drones, aeroespacial e minerais estratégicos.
A medida é uma resposta direta à decisão do governo dos Estados Unidos de ampliar a chamada “Lista de Empresas Militares Chinesas”, utilizada por Washington para restringir a participação de companhias chinesas em contratos militares norte-americanos.
Em comunicado, o ministério do Comércio da China afirmou que a decisão tem como objetivo “salvaguardar a segurança nacional e os interesses do país” diante daquilo que classificou como a “expansão indevida da chamada Lista de Empresas Militares Chinesas”.
A partir de agora, empresas chinesas estão proibidas de exportar produtos de uso dual — aqueles que podem ter aplicações civis e militares — para dez companhias norte-americanas. A restrição também se aplica a empresas e indivíduos de terceiros países que pretendam transferir produtos de origem chinesa para essas corporações.
Entre as empresas atingidas estão fabricantes de drones militares, sistemas de radar, equipamentos marítimos e companhias ligadas à cadeia de minerais estratégicos e terras raras.
A lista inclui Aveox, Red Cat Holdings, Teal Drones, IMSAR, Jaia Robotics, Ball Aerospace & Technologies, Oshkosh Defense, L3Harris Maritime Services, MP Materials e USA Rare Earth.
Em medida paralela, o ministério das Finanças da China proibiu órgãos governamentais de adquirir produtos de 46 empresas norte-americanas, entre elas subsidiárias dos gigantes militares Lockheed Martin, Raytheon e General Dynamics.
A ofensiva chinesa ocorre poucas semanas após o Pentágono incluir empresas como Alibaba e Baidu em sua lista de companhias supostamente vinculadas às Forças Armadas chinesas.
A classificação impede essas empresas de disputar contratos militares nos Estados Unidos e foi contestada por Pequim.
Na ocasião, o ministério do Comércio chinês afirmou que Washington ignorou os entendimentos alcançados entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a visita de Trump a Pequim em maio.
Taiwan no centro da disputa
Embora o comunicado oficial não mencione diretamente Taiwan, especialistas chineses afirmam que a medida mira empresas envolvidas no fornecimento de armas e tecnologia militar para a ilha.
Segundo o especialista militar Zhang Junshe, ouvido pelo jornal estatal Global Times, as companhias sancionadas “não apenas venderam drones militares e outros equipamentos para Taiwan, como também participaram de cooperação tecnológica e militar profunda com as autoridades da ilha”.
“Apoiar forças separatistas favoráveis à independência de Taiwan prejudica a segurança nacional e os interesses centrais da China”, afirmou.
Diversas das empresas atingidas participaram nos últimos anos de feiras de defesa realizadas em Taipei e de missões comerciais organizadas pelos Estados Unidos para ampliar a cooperação militar com Taiwan.
Pequim considera Taiwan uma província chinesa e rejeita qualquer forma de apoio militar estrangeiro à ilha. A questão é tratada pelo governo chinês como um tema de soberania nacional e uma linha vermelha nas relações com Washington.
Disputa tecnológica e estratégica
As novas sanções também atingem duas empresas importantes do setor de terras raras dos Estados Unidos: MP Materials e USA Rare Earth. Esses minerais são essenciais para a fabricação de equipamentos eletrônicos avançados, veículos elétricos, radares, mísseis, aeronaves e sistemas militares.
Para autoridades e analistas chineses, a medida busca enfraquecer a cadeia de fornecimento utilizada pelos Estados Unidos para sustentar sua indústria de defesa e os programas de armamento destinados a Taiwan.
O professor Li Haidong, da Universidade de Relações Exteriores da China, afirmou que a decisão envia uma mensagem clara a Washington.
“A China fará tudo o que estiver ao seu alcance para enfraquecer as empresas que armam Taiwan e prejudicam os interesses centrais do país”, declarou.
As novas restrições aprofundam a disputa tecnológica e estratégica entre as duas maiores economias do mundo e sinalizam que a trégua diplomática construída após o encontro entre Xi e Trump em maio continua cercada de tensões, especialmente em temas considerados sensíveis por Pequim, como Taiwan e o desenvolvimento tecnológico chinês.