UBM elege 1ª presidenta negra e reforça enfrentamento à extrema direita
Congresso aprova documento político, plataforma para as eleições de 2026 e elege Manuela Mirella para comandar a entidade até 2029
Publicado 29/06/2026 08:26 | Editado 29/06/2026 09:26
A União Brasileira de Mulheres (UBM) encerrou, neste domingo (28), seu 12º Congresso Nacional com a eleição de Manuela Mirella para presidenta. Em seus 38 anos de história, a organização passa a ser comandada, pela primeira vez, por uma mulher negra. Além da escolha da nova direção, as delegadas aprovaram o documento político que orientará a atuação da entidade até 2029, alterações estatutárias, uma plataforma eleitoral para 2026 e um conjunto de moções em defesa da democracia, do enfrentamento à violência contra as mulheres e da ampliação da participação feminina nos espaços de poder.
Após dois dias de debates, o congresso reuniu delegadas de todas as regiões do país para discutir os desafios do movimento feminista diante do avanço da extrema direita, da violência política de gênero e das desigualdades sociais. As resoluções aprovadas reafirmam a defesa da soberania nacional, das políticas públicas para as mulheres e da construção de um projeto de desenvolvimento com justiça social.
Memória para construir o futuro
Na tarde de sábado com a homenagem “Nossos Passos Vêm de Longe”, dedicada às mulheres que ajudaram a construir a história da UBM desde sua fundação, em 1988. O momento reuniu lideranças históricas da entidade em um resgate da trajetória do feminismo emancipacionista e reafirmou a importância de preservar a memória como instrumento de fortalecimento da organização.

Foram homenageadas militantes que contribuíram para consolidar a atuação nacional da entidade, entre elas Ana Rocha, Jandira Feghali, Jô Moraes, Jussara Cony, Leci Brandão, Liege Rocha, Lúcia Antony, Márcia Campos, Mary Castro e outras dirigentes que marcaram diferentes momentos da história da UBM. A atividade também prestou homenagens póstumas a companheiras que ajudaram a construir a entidade, como Raquel Guisoni, Gilse Consenza, Lucia Rocha, Adriana Jota e Laura Jesus de Moura e Costa.
Propostas construídas nos grupos de trabalho
As resoluções aprovadas pela plenária foram construídas a partir dos oito grupos de trabalho realizados no sábado, que reuniram delegadas de diferentes estados para debater os desafios da organização nos próximos três anos. Entre as contribuições incorporadas ao documento político estão propostas para ampliar a participação das mulheres na política institucional, fortalecer a atuação da UBM nas eleições de 2026 e enfrentar o avanço da extrema direita por meio da organização popular e da disputa de narrativas.
No Grupo de Trabalho “Democracia, Enfrentamento à Extrema Direita e Mulheres no Poder”, as participantes defenderam a criação de um fórum permanente de parlamentares da UBM, o fortalecimento de candidaturas comprometidas com a agenda feminista, a ampliação da participação das mulheres nos espaços de decisão e a defesa da paridade como horizonte para a representação política feminina.

Também foram aprovadas propostas voltadas ao fortalecimento da comunicação da entidade, com estratégias para ampliar sua presença nas redes sociais, enfrentar a desinformação, investir na formação política de novas lideranças e intensificar a articulação com movimentos sociais e organizações populares. O documento ainda reforça a necessidade de combater a violência política de gênero e preparar a atuação da UBM para o processo eleitoral de 2026, considerado estratégico para a defesa da democracia e dos direitos das mulheres.
Documento político e moções
Na plenária final, as delegadas aprovaram a tese política que orientará a atuação da entidade nos próximos três anos. O documento aponta que a sub-representação das mulheres nos espaços de poder decorre de desigualdades estruturais e denuncia a violência política de gênero como um mecanismo de exclusão da participação feminina.
Entre as moções aprovadas está a de solidariedade à vereadora e escritora Cida Pedrosa, apresentada como símbolo da violência política dirigida a mulheres que ocupam cargos públicos e defendem pautas progressistas. As delegadas também aprovaram moções em defesa da Política Nacional de Cuidados, do fortalecimento da rede de proteção às mulheres LBT+, da adesão de todos os estados ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, da federalização de casos emblemáticos de violência contra mulheres e da proteção de territórios ameaçados por impactos socioambientais.
Nova direção abre um novo ciclo
O encerramento do congresso marcou a eleição da nova Coordenação Nacional da UBM para o triênio 2026-2029. Além de Manuela Mirella na presidência, a executiva reúne representantes de diferentes regiões do país nas áreas de organização, comunicação, cultura, formação, projetos, movimento sindical e demais secretarias, reforçando o caráter nacional da entidade.
Ao apresentar a nominata, a presidenta cessante, Vanja Andrea, destacou que a composição buscou refletir o fortalecimento da organização nos estados e preparar a UBM para um novo ciclo de crescimento. A dirigente também reafirmou a meta de ampliar a presença da entidade em todo o país e alcançar 40 mil filiadas até os 40 anos da organização.
Vanja Andrea: dez anos de legado
Antes da posse da nova direção, Vanja Andrea foi homenageada pelos dez anos à frente da presidência nacional da UBM. Ao som de Maria, Maria, de Milton Nascimento, um vídeo relembrou sua trajetória de dedicação à entidade e momentos marcantes de sua gestão, como a atuação durante a pandemia de Covid-19, a defesa da democracia e a mobilização permanente em favor dos direitos das mulheres.

Em reconhecimento à sua trajetória, Vanja recebeu um buquê de flores e uma homenagem preparada pelas companheiras de direção, encerrando um ciclo marcado pelo fortalecimento da presença nacional da UBM e pela ampliação da atuação da entidade em campanhas, denúncias e articulações em defesa das mulheres brasileiras.
Ao assumir a presidência, Manuela Mirella afirmou que a nova direção dará continuidade à trajetória construída pela entidade e reforçou o compromisso de enfrentar o avanço da extrema direita.
“Se o sistema e essa estrutura acharam que não haveria mulheres corajosas para enfrentar e apresentar um novo projeto de país, está aqui a União Brasileira de Mulheres para derrotar a extrema direita e apresentar um projeto de felicidade para o Brasil”, declarou.
Com a aprovação das resoluções e a posse da nova direção, a UBM encerra o 12º Congresso reafirmando a defesa da democracia, da soberania nacional e da participação das mulheres como eixo central da construção de um projeto de país mais justo e igualitário.