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 Manifestação pró_Zelaya é reprimida com violência em Honduras

As forças sob comando dos golpistas reprimiram com violência nesta sexta-feira (9) um protesto que reuniu centenas de seguidores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, diante do hotel onde estão acontecendo as negociações para tentar encerrar a crise política no país.

Os policiais dispersaram os manifestantes com bombas de gás lacrimogênio e jatos d'água. No entanto, vários deles voltaram para o hotel, de onde foram novamente repelidos pelos militares.

"Mesmo que nos atirem bombas de gás, continuarei em pé de guerra, porque quero o presidente em quem votei, não o que foi instalado pelas forças armadas", declarou Orlinda Cruz, dona de casa de 59 anos.

Segunda-feira, o governo de fato de Roberto Micheletti anunciou a revogação do estado de sítio no país. No entanto, a medida ainda não foi aplicada.

"Eles estão se aproveitando de que o decreto (que instaurou o estado de sítio) continua vigente para fazer uso de suas armas contra o povo. Exigimos o fim da repressão. Não haverá diálogo enquanto continuarem a agredir os hondurenhos", clamou um manifestante.

Um policial disse à imprensa que a repressão dos protestos vai continuar. "O decreto continua vigente. As manifestações estão proibidas, e vamos continuar coibindo elas", afirmou.

Uma missão de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA), responsável pela instauração do diálogo entre as duas partes em um hotel de Tegucigalpa, pediu ao governo golpista que respeite os direitos humanos e revogue efetivamente o estado de sítio.

Paramilitares colombianos

A situação hondurenha agarvou-se depois que a ONU denunciou que setores da direita golpista hondurenha está recrutando paramilitares colombianos para "proteger" propriedades do país.

Segundo o Grupo de Trabalho da ONU sobre o emprego de mercenários, antigos membros das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) foram recrutados por fazendeiros em Honduras. A AUC é apontada como responsável pelo assassinato de milhares de pessoas na Colômbia.

Outras fontes citadas pelos analistas falam da formação de um grupo de 120 paramilitares procedentes de diversos países da região que teriam chegado ao país para apoiar o golpe.

Os analistas da ONU também mostram sua preocupação pelas alegações que a Polícia e mercenários empregam aparatos de escutas a longa distância para controlar a Zelaya e seus partidários, que estão refugiados na embaixada do Brasil desde seu retorno à nação centro-americana em 21 setembro.

"Instamos às autoridades de Honduras que adotem todas as medidas práticas para evitar o emprego de mercenários em seu território e para investigar suas supostas atividades", assinalou o grupo de analistas.

Da redação,
com agências