Ni una Menos:Mulheres ocupam ruas contra violência e perda de direitos
Os protestos contra o assassinato brutal da argentina Lúcia Peres continuam no Brasil. Foram realizados atos em São Paulo (dia 24), no Rio de Janeiro, ocorrido nesta terça-feira (25), e está previsto mais um em Belo Horizonte nesta quinta-feira (27). A presidenta da União Brasileira de Mulheres (UBM), Lúcia Rincón, vê as manifestações como “o firme posicionamento das mulheres contra a violência e em defesa de políticas públicas que garantam os direitos conquistados”.
Por Railídia Carvalho
Publicado 26/10/2016 13:58
De acordo com pesquisas, a igualdade de gênero levará décadas para ser alcançada, o que significa que durante muito tempo as mulheres serão submetidas à condições desiguais em relação aos direitos e oportunidades que usufruem os homens.
A violência de gênero é uma marca deste cenário e o assassinato de Lúcia Peres, que foi estuprada e empalada em Mar Del Plata, na Argentina, no dia 15 de outubro, mostra que o feminicídio é uma questão central.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro um movimento de mulheres latino-americanas denunciou a violência histórica e cotidiana.
"Vamos para a rua, com nossos balões e com nossas roupas pretas, porque estamos de luto sim. O luto das mulheres não é o luto que se cala. Não é um luto que vai chorar sozinha em casa. É um luto que chora, mas chora junto, chora lutando. O nosso luto é luta”, afirmou manifestante em relato ao Mídia Ninja durante o ato no Rio.
Para ela, ao lado da solidariedade e da repulsa à violência, as mulheres se mostram ativas, atuantes em um cenário de ataque aos direitos sociais. “As mulheres afirmam que não aceitam mais essa violência, não ficamos mais passivas. É um posicionamento que fortalece o combate ao retrocesso das políticas públicas que vivemos atualmente”, completou Lúcia.
“Nesta reunião conseguimos nos apropriar da primeira elaboração dos resultados da conferência, o que permite ao conselho, enquanto controle social, atuar de forma fundamentada e firme em favor da execução das políticas discutidas”, ressaltou Lúcia. De outro lado, segundo ela, a reunião demonstrou que do lado do governo não havia uma apropriação do tema.Nesta terça-feira (25), a Câmara dos Deputados aprovou em segundo turno por 359 a 116 votos a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, apelidada de PEC da Morte. Na prática, os deputados aprovaram a redução dos recursos orçamentários que viabilizam direitos sociais, como saúde, educação e assistência social. A proposta congela as despesas nessas áreas por 20 anos e será encaminhada ao Senado para votação em dois turnos.
O Ato Ni Una Menos acontece em Belo Horizonte nesta quinta-feira (27) a partir das 18h, na prça Afonso Arinos. Clique aqui para acessar o evento