Aliado de Macron, premiê francês deve renunciar nesta segunda (7) após vitória da esquerda

Gabriel Attal afirmou que irá apresentar sua demissão na segunda. A coligação de esquerda venceu as eleições legislativas de forma surpreendente e Macron silencia

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O primeiro-ministro da França, Gabriel Attal, anunciou neste domingo (7) que irá renunciar ao cargo após a derrota do Juntos, a coligação do presidente Emmanuel Macron, no segundo turno das eleições para a Assembleia Nacional. O Eliseu comunicou que Macron não irá se manifestar neste domingo sobre o resultado da votação.

Attal é filiado ao mesmo partido de Macron, o Renascimento, e assumiu o cargo em janeiro deste ano como o premiê mais jovem desde a fundação da Quinta República da França, em 1958. O correligionário do presidente também foi o primeiro abertamente gay.

“Apresentarei a minha demissão ao presidente da República amanhã de manhã”, adiantou, o aliado de Macron.
“Nunca irei aceitar que milhões dos nossos cidadãos optem por votar nos extremos. Aos franceses digo: respeito cada um de vocês. Algumas vidas são mais difíceis do que outras e são essas vidas que devemos melhorar. Onde quer que eu esteja, estarei sempre disposto a atingir esse objetivo”, afirmou Attal.

Pesquisas de boca de urna publicadas logo após o fechamento das sessões eleitorais, às 20h do horário local (15h em Brasília), revelaram uma vitória surpreendente da Nova Frente Popular, uma rede de partidos e organizações de esquerda que se juntaram para barrar o avanço da extrema direita.

De acordo com o levantamento, a Assembleia Nacional francesa terá a seguinte configuração:
Nova Frente Popular: entre 172 e 192 deputados
Juntos: entre 150 e 170 deputados
Reunião Nacional: entre 132 e 152 deputados
Republicanos: entre 63 e 68 deputados

“Esta noite, o partido político que representei nesta campanha (…) não tem maioria. Assim, fiel à tradição republicana e de acordo com os meus princípios, apresentarei amanhã de manhã a minha demissão ao Presidente da República”, declarou na escadaria do hotel Matignon, residência oficial do primeiro-ministro da França.

Attal ainda afirmou que “nenhuma maioria absoluta pode ser conduzida por extremos”, indicando que a coligação do presidente Macron seguirá com a perigosa falsa equivalência entre a Nova Frente Popular e o Reunião Nacional, deixando de concretizar a frente republicana na Assembleia Nacional.

Após o anúncio dos primeiros resultados deste domigo, o líder da França Insubmissa, principal partido da NFP, Jean-Luc Mélenchon, ordenou que Gabriel Attal “fosse embora” e declarou que o NFP deveria “governar”.
“A derrota do presidente da República e da sua coligação está claramente confirmada. O presidente deve se curvar e admitir esta derrota sem tentar contorná-la de forma alguma”, sublinhou Jean-Luc Mélenchon.

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