“Não quero desfile de ideias e conclusão zero”, diz Lula sobre a COP30
Na Cúpula da Otca, na Colômbia, presidente cobra engajamento pela Amazônia e maior compromisso dos países ricos: “O futuro do bioma não depende só dos países amazônicos”
Publicado 22/08/2025 16:04 | Editado 26/08/2025 12:37
O presidente Lula participou, nesta sexta-feira (22), do encontro de presidentes com a Sociedade Civil e os Povos Indígenas promovido pela 5ª Cúpula da Otca (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica), em Bogotá, na Colômbia.
O ato dá continuidade ao que foi estabelecido na Declaração de Belém, em 2023, quando o Brasil sediou o encontro. Ao final do evento, os países signatários da Otca apresentarão a Declaração de Bogotá.
Antes do seu discurso oficial para uma plateia composta pelos presidentes Luís Arce, da Bolívia, e o anfitrião Gustavo Petro, da Colômbia, Lula afirmou que trata a próxima COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), em Belém (PA), como algo pessoalmente muito importante.
“A COP30 tem que dar resultado. Eu não quero fazer da COP um desfile de discursos, panfletos, ideias e conclusão zero. Eu quero uma conclusão para ver se a gente dá um passo adiante e sai da mesmice que estamos”.
Para o presidente, é fundamental ter compromissos ousados e que sejam cumpridos, sob o risco de o planeta entrar em uma situação ambiental calamitosa que seja irreversível, chamada de “ponto de não retorno”. Como aponta, é preciso ter ações contundentes para que o debate da Conferência não perca força igual ao que aconteceu com o Fórum Social Mundial.
Na visão de Lula, poucos países têm cumprido o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris. Por isso, o líder brasileiro cobra que os países ricos aumentem o financiamento contra as mudanças climáticas (na COP29 ficou acertado um valor anual de apenas US$ 250 bilhões enquanto era esperado US$ 1,3 trilhão), assim como apresentem as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), como o Brasil já fez.
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Já no seu discurso oficial, Lula destacou que a Amazônia voltou ao centro da ação governamental com o seu governo, que reduziu em quase a metade o desmatamento no bioma em dois anos.
“Vamos transformar o Arco do Desmatamento no Arco da Restauração, recuperando 12 milhões de hectares de vegetação nativa. Temos hoje quase 130 unidades de conservação na Amazônia, e homologamos dezesseis novas terras indígenas em todo o país”, disse.

O presidente ainda convidou as lideranças de países amazônicos para a inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus (AM), marcado para o dia 9 de setembro.
“O povo amazônico merece viver livre da violência. Violência que destrói a floresta e envenena as águas. Que acaba com o sustento dos pescadores e dos extrativistas. Que expulsa indígenas de suas terras e ribeirinhos das suas casas. Que tira a vida de quem luta pela Amazônia, como Chico Mendes, Dorothy Stang, Bruno Pereira, Dom Phillips e tantos outros. Por isso, fortalecemos ações de fiscalização ambiental. Reduzimos a praticamente zero o índice de áreas de garimpo ilegal no Território Yanomami, no estado de Roraima”, afirmou o presidente, ao convocar para a inauguração.
Ao voltar ao tema da COP30, ele justificou que a escolha de Belém como sede do evento teve como finalidade mostrar ao mundo a realidade da Amazônia. O presidente explicou que há muito tempo os países ricos acusam os países da Otca de não cuidarem da floresta e imporem modelos de preservação inadequados, desconsiderando as pessoas que ali vivem.
“O futuro do bioma não depende só dos países amazônicos. Mesmo que mais nenhuma árvore seja derrubada, a floresta continuará em risco se o resto do mundo não avançar na redução de gases de efeito estufa”, alertou Lula, ao destacar que a “descarbonização não é uma escolha.”
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Ele ainda salientou que durante a COP, será lançado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, “mecanismo inovador que vai remunerar os países que mantêm suas florestas em pé.”
Antes de concluir, Lula voltou a ressaltar que a única saída para a crise climática e ambiental continua sendo o multilateralismo. No entanto, pondera que é necessário mais compromisso e menos demagogia.
“Muito já foi negociado, mas pouco foi cumprido. Precisamos de uma nova governança mundial. Se a ONU é o lugar que criamos para tratar dos temas mais importantes da humanidade, é lá que a mudança do clima deve estar. Vamos trabalhar para que se crie um Conselho do Clima, capaz de mobilizar os países a efetivarem seus compromissos”, conclamou.