Líderes mundiais reagem à ofensiva de Israel contra a Cidade de Gaza

União Europeia e Alemanha criticam ataques, Espanha ameaça boicote cultural e ONGs britânicas exigem sanções em meio a denúncias de genocídio em Gaza

Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, durante coletiva em Berlim em que classificou como “o caminho errado” a ofensiva de Israel contra a Cidade de Gaza. Foto: Reprodução

A ofensiva terrestre lançada por Israel nesta terça-feira (16) contra a Cidade de Gaza intensificou a pressão internacional sobre o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. 

Declarações de líderes políticos, organismos multilaterais e entidades da sociedade civil impõe ao regime sionista um crescente isolamento diplomático do país em meio a denúncias de violações do direito internacional e de crimes contra a humanidade.

A União Europeia pediu nesta terça-feira que Tel Aviv interrompa a invasão do norte da Faixa. 

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O porta-voz da Comissão Europeia, Anouar El Anouni, alertou que “a intervenção militar levará a mais destruição, mais mortes e mais deslocamentos” e advertiu que a operação “agravará a já catastrófica situação humanitária e colocará em risco a vida dos reféns”. 

A chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, deve apresentar nesta quarta propostas para elevar a pressão sobre Israel, incluindo novas sanções. 

Na semana passada, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, anunciou que congelará milhões de euros em repasses a Israel e que pedirá a suspensão parcial do acordo comercial com Tel Aviv.

Na Alemanha, o ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, disse em Berlim que a ofensiva é “completamente o caminho errado” e reiterou que eventuais planos de anexação de territórios palestinos configuram “violação do direito internacional”. 

Questionado sobre o relatório da ONU que concluiu que Israel comete genocídio em Gaza, o chanceler afirmou que aguardará decisão da Corte Internacional de Justiça, mas classificou os fatos relatados como “extremamente preocupantes”. 

Para Wadephul, a prioridade deve ser alcançar um cessar-fogo, liberar reféns e garantir ajuda humanitária.

As declarações de Berlim ganham peso extra uma vez que a Alemanha é, por razões históricas ligadas ao Holocausto, um dos aliados mais consistentes de Israel na Europa. 

A Espanha tornou-se o primeiro país do chamado “Big Five” da Eurovisão a condicionar sua participação no concurso à exclusão de Israel. 

O conselho da emissora pública RTVE aprovou por maioria a retirada do país da edição de 2026, caso Tel Aviv seja admitido. A decisão soma-se a posições já assumidas por Holanda, Eslovênia, Islândia e Irlanda e expõe como a guerra em Gaza atinge também arenas culturais.

No Reino Unido, a sociedade civil ampliou a pressão sobre o primeiro-ministro. A Anistia Internacional afirmou que a recusa do governo em reconhecer o genocídio é “insustentável” diante das evidências jurídicas. 

A ONG exige a suspensão imediata de exportações de armas a Israel, sanções contra autoridades implicadas em crimes de guerra e o fim do comércio com assentamentos. 

A ActionAid UK reforçou o alerta. Para a co-diretora-executiva Hannah Bond, “o veredicto da ONU é inequívoco” e, a menos que Londres interrompa o fornecimento de armamentos, “o Reino Unido continuará cúmplice”.

Do lado palestino, o ministério das Relações Exteriores afirmou em publicação na rede X que Israel está transformando a Cidade de Gaza em “um imenso cemitério”. 

O comunicado diz que o “fracasso” da diplomacia internacional é “suspeito e injustificado” e acusa o governo Netanyahu de ter como objetivo o “alvo deliberado de civis”. O órgão pediu uma intervenção internacional “excepcional” para deter o que classificou como “um grande crime” e exigiu a entrega contínua de ajuda humanitária.

Nos países árabes, uma cúpula realizada na segunda-feira (15) se limitou a condenar os ataques israelenses, sem adotar medidas concretas. A ausência de ações efetivas expôs a dificuldade da região em exercer pressão diplomática contra Tel Aviv, apesar do prolongamento da guerra e do agravamento da catástrofe humanitária em Gaza.

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