China supera marca anterior e inaugura nova ponte mais alta do mundo

Projeto em Guizhou reforça papel do país como “museu de pontes”, reduz travessias de horas para minutos e região vira polo turístico global

Ponte do Grande Cânion de Huajiang, recém-inaugurada em Guizhou, sudoeste da China. Com quase 3 km de extensão, tornou-se a mais alta do mundo e reduz a travessia do cânion de duas horas para apenas dois minutos. Foto: Reprodução

A China inaugurou neste domingo (28) a Ponte do Grande Cânion de Huajiang, em Guizhou, no sudoeste montanhoso do país, consolidando o novo recorde mundial de maior altura já atingida por uma estrutura do tipo. 

Erguida a 625 metros acima do rio Beipan, a ponte tem quase nove vezes a altura da Golden Gate, em São Francisco, e estabelece ainda outro marco: o maior vão principal em região montanhosa, com 1.420 metros. 

Com 2.890 metros de extensão, a obra reduziu o tempo de travessia do cânion de duas horas para apenas dois minutos, após três anos de construção. 

O projeto, iniciado em 2022, atraiu atenção internacional e foi apresentado pelas autoridades como um exemplo da abordagem chinesa para vencer terrenos acidentados por meio da engenharia de ponta.

A província de Guizhou, única do país sem planícies e marcada por ravinas profundas e montanhas íngremes, depende historicamente de túneis e pontes para superar a paisagem cárstica.

Desde 2012, o governo local acelerou os investimentos e já soma mais de 32 mil pontes construídas ou em construção — dez vezes mais que nos anos 1980. 

Guizhou abriga quase metade das cem pontes mais altas do mundo, incluindo as três primeiras, o que lhe rendeu o título de “museu de pontes do mundo”. A antiga recordista mundial também se localizava na região, sobre o mesmo rio Beipan, a cerca de 100 quilômetros, com altura de 565,4 metros. 

A nova estrutura, além de superar o recorde anterior, deve aliviar a pressão sobre a via expressa Xangai-Kunming, um dos principais eixos rodoviários da China, e integrar a província ao corredor terrestre-marítimo ocidental, considerado estratégico para o desenvolvimento regional.

A magnitude do projeto envolveu desafios inéditos. Segundo Yuan Quan, presidente do grupo de investimentos responsável pela obra, as dificuldades incluíram condições geológicas complexas, ventos fortes no cânion e exigências extremas de precisão em altitude. 

Para superá-las, os engenheiros lançaram mão de novas tecnologias como drones, sistemas de monitoramento inteligente, navegação por satélite e materiais de ultra-alta resistência. 

O trabalho alcançou precisão milimétrica em plena altitude e resultou em 21 inovações técnicas. 

Yang Jian, engenheiro-chefe do projeto, explicou que a altura da ponte não foi determinada pela busca de recordes, mas pela necessidade técnica de evitar túneis longos e caros. “Só quando concluímos o projeto nos demos conta, estupefatos, de que a ponte teria mais de 600 metros de altura”, relatou.

Para Zhang Yin, chefe do departamento de transportes da província, trata-se de um projeto emblemático que exibe a inovação chinesa e comprova a liderança mundial do país em engenharia de pontes em regiões cársticas. 

O especialista Ge Yaojun disse o Diário do Povo que “Guizhou demonstra que o terreno complexo não é uma restrição, mas um catalisador para a inovação”. 

Wu Chaoming, gerente do projeto, lembrou que em sua infância a viagem até a capital provincial dependia de um único ônibus lotado, em contraste com a atual conectividade. Ele mesmo percorria diariamente 15 quilômetros de inspeção a pé pela obra, mais de um terço de uma maratona, para garantir a execução.

Além da função logística, a Ponte do Grande Cânion de Huajiang foi concebida como destino turístico. 

O governo de Guizhou planeja transformar os 50 quilômetros quadrados ao redor em uma zona integrada de lazer, ciência e esportes radicais. 

Estão previstas atrações como um café panorâmico a 800 metros de altura, plataformas de observação, parapente, bungee jump sem corda, pista de corrida em altitude e shows de luzes com tela d’água. 

O potencial foi demonstrado recentemente no primeiro Desafio Internacional de Triatlo da Ponte Mais Alta do Mundo, com quase 200 atletas de 20 países. 

“Para mim, a parte mais difícil dessa corrida foi não me distrair com a vista impressionante”, disse o australiano Joshua Pedlow, de 19 anos. 

Autoridades preveem que mais de um milhão de turistas visitem a estrutura anualmente, impulsionando setores locais como hospedagem, alimentação, venda de produtos agrícolas e artesanato.

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