China reage a sanções britânicas e acusa Londres de politizar comércio com a Rússia
Governo chinês diz que Reino Unido age sob influência dos EUA ao sancionar 11 empresas por “laços com a Rússia” e promete proteger direitos das companhias afetadas
Publicado 28/10/2025 11:17 | Editado 29/10/2025 08:49
A China criticou nesta segunda-feira (27) a decisão do Reino Unido de incluir 11 empresas chinesas em uma nova rodada de sanções sob o pretexto de “vínculos com a Rússia”. As medidas, anunciadas em 15 de outubro, foram classificadas por Pequim como “unilaterais” e “sem base no direito internacional”.
Em nota, o ministério do Comércio da China (MOFCOM) afirmou que “as trocas normais entre empresas chinesas e russas não devem ser interrompidas nem afetadas” e acusou o governo britânico de “politizar o comércio internacional”.
Pequim exigiu a revogação imediata das sanções e advertiu que tomará “as medidas necessárias para proteger firmemente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”.
Segundo o ministério, Londres “ignora as manifestações formais da China e compromete o ambiente de cooperação econômica entre os dois países”. Para Pequim, a decisão representa “um ataque injustificado” e confirma o alinhamento do Reino Unido à política de contenção dos Estados Unidos.
“Essas ações violam as normas básicas das relações internacionais e prejudicam a recuperação da economia mundial”, diz o comunicado.
Uma das empresas afetadas é a Shandong Yulong Petrochemical, refinaria inaugurada neste ano na província de Shandong. Após as sanções britânicas e europeias, a Yulong aumentou suas importações de petróleo russo para compensar o cancelamento de contratos com fornecedores do Oriente Médio e do Canadá, segundo a Reuters.
Com capacidade para processar 400 mil barris diários, a refinaria mantém operações acima de 90% e deve receber 15 embarques de petróleo russo em novembro — volume recorde.
A embaixada da China em Londres apresentou protesto formal e acusou o governo britânico de “ampliar indevidamente o conceito de segurança nacional” e “comprometer o clima de investimentos”.
Artigos publicados pela agência Xinhua e pelo jornal Global Times afirmam que as sanções “refletem uma postura antichinesa irracional” e alertam que “seguir cegamente Washington não trará benefícios a Londres”.
Para Pequim, a nova rodada de punições é mais um exemplo do uso político das sanções ocidentais.
O governo chinês sustenta que sua cooperação com a Rússia é “normal, legítima e transparente”, e promete reagir a qualquer tentativa de restringir seu comércio externo sob justificativas geopolíticas.