China e EUA anunciam trégua econômica e aliviam tensão comercial

Após meses de escalada entre as duas maiores economias do mundo, líderes anunciam acordo de um ano com redução de tarifas e retomada do comércio agrícola

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, se cumprimentam em Busan, na Coreia do Sul, durante encontro bilateral realizado à margem da cúpula da Apec. A reunião marcou o anúncio de uma trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo. Foto: Reprodução/ Xinhua

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da China, Xi Jinping, anunciaram nesta quinta-feira (30) uma trégua econômica de um ano, com redução de tarifas e suspensão de sanções comerciais.

O encontro ocorreu em Busan, na Coreia do Sul, à margem da cúpula da Apec, e marcou a primeira reunião entre os dois líderes desde 2019.

Trump afirmou que as tarifas sobre produtos chineses cairão de 57% para 47%, com corte específico nas taxas sobre substâncias químicas ligadas ao fentanil, que passarão de 20% para 10%. Em troca, Pequim prometeu retomar as compras de soja e suspender por 12 meses as restrições de exportação de terras-raras, minerais estratégicos para os setores de defesa, tecnologia e energia.

O acordo encerra meses de negociações tensas entre Washington e Pequim, iniciadas após a nova rodada de tarifas anunciada por Trump em abril. Naquele momento, as sobretaxas americanas haviam alcançado níveis recordes, chegando a 147% em alguns setores industriais, o que levou a China a retaliar com restrições à exportação de terras-raras e à compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos.

Desde então, a guerra tarifária provocou incertezas nas cadeias globais de suprimento, pressionou o setor tecnológico e reacendeu disputas sobre a dependência mútua entre as duas potências. O anúncio em Busan, portanto, representa um alívio temporário para os mercados e um gesto de reaproximação entre governos que, nos últimos anos, vinham alternando hostilidade e pragmatismo.

“Foi uma reunião incrível. Eu diria 12 em 10”, declarou o republicano, em tom de autopromoção, a bordo do Air Force One, após deixar a Coreia do Sul. Xi, por sua vez, adotou uma linguagem diplomática e simbólica: “Você e eu estamos no leme das relações China–EUA. Devemos manter o rumo e garantir a navegação firme do grande navio de nossas relações.”

Apesar do otimismo aparente, o acordo não encerra a disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo. Analistas internacionais o descrevem como uma trégua tática liderada por Trump, voltada mais a aliviar pressões econômicas internas e dar fôlego à Casa Branca em meio à desaceleração do consumo e à escalada dos preços nos EUA.

A leitura oficial chinesa, divulgada pela agência Xinhua, apresentou o encontro como um gesto de estabilidade e racionalidade diante da volatilidade americana. Xi defendeu que “China e Estados Unidos devem ser parceiros e amigos”, destacando que as divergências são “naturais entre as duas maiores economias do mundo”.

O líder também ressaltou que a economia chinesa “é como um oceano vasto, grande, resiliente e promissor”, informando crescimento de 5,2% no PIB e alta de 4% no comércio global nos três primeiros trimestres de 2025.

Para Xi, o objetivo da China “não é desafiar nem substituir ninguém, mas administrar bem seus próprios assuntos e compartilhar oportunidades de desenvolvimento com o mundo”.

O presidente prometeu ampliar reformas, acelerar a abertura econômica e manter diálogo “em igualdade e respeito mútuo” com Washington. Segundo a Xinhua, Xi convidou os EUA a trabalharem juntos em temas como imigração ilegal, inteligência artificial e combate à lavagem de dinheiro, e propôs que as duas potências “assumam suas responsabilidades como grandes países” diante das crises globais.

O discurso de Xi reforça a estratégia chinesa de se apresentar como força estável e cooperativa, em contraste com o estilo errático de Trump. A diplomacia de Pequim insiste que o diálogo é melhor que o confronto — frase que tem se tornado um eixo fixo da retórica chinesa desde o início da guerra tarifária em 2024.

A leitura de analistas em Pequim e Washington é que o encontro serviu tanto para restaurar previsibilidade nas relações comerciais quanto para testar os limites da convivência entre duas potências que competem pela liderança tecnológica e industrial do século 21. A trégua sinaliza disposição para cooperação, mas mantém intacta a disputa por influência global e por novos espaços de poder econômico.

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