Boulos toma posse e promete governo nas ruas

Em cerimônia marcada por críticas à chacina no Rio, novo ministro defende democracia, movimentos populares e diz que “cabeça do crime organizado não está no barraco da favela”

Brasília (DF), 29/10/2025 - O novo o Secretário-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, fala durante cerimônia de posse, realizada no Palácio do Planalto | Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (Psol), tomou posse nesta quarta-feira (29) em uma cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília. O evento foi marcado por fortes críticas à operação policial que deixou mais de 100 mortos dos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro.

Logo no início de seu discurso, Boulos pediu um minuto de silêncio “para todas as vítimas do massacre”, incluindo policiais e moradores. “Tenho orgulho de fazer parte do governo do presidente que sabe que a cabeça do crime organizado desse país não está no barraco de uma favela, muitas vezes está na lavagem de dinheiro lá na Faria Lima, como vimos na Operação Carbono Oculto da Polícia Federal”, afirmou.

Ele declarou que o Brasil tem hoje “um presidente que não fala fino com os Estados Unidos” e reforçou a necessidade de enfrentar desigualdades estruturais com coragem e diálogo com a sociedade.

“Com inimigos da democracia não tem diálogo”

Em outro trecho do discurso, o novo ministro destacou que a Secretaria-Geral deve se tornar um canal direto de escuta e articulação com movimentos sociais, trabalhadores e periferias. “Mais do que um ministro, vocês terão um companheiro de luta, de sonhos e de causa”, disse.

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Boulos afirmou ainda que pretende “dar voz aos catadores, trabalhadores domésticos, sem-teto, sem-terra e quilombolas”. Segundo ele, a proposta é abrir diálogo com todos os setores da sociedade — “de católicos a evangélicos” —, mas fez uma ressalva: “Não tem diálogo com quem ataca a democracia e trai o Brasil. Com esses não tem diálogo. Esses querem ver a gente morta. A eles, inimigos do povo e da democracia, temos duas coisas para dizer: o Brasil é dos brasileiros e sem anistia.”

Missão de fortalecer laços com o povo

Diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que não discursou, Boulos afirmou que recebeu de Lula “a missão de ajudar nessa reta final do seu terceiro mandato com o governo na rua”. Ele enfatizou que o objetivo é fortalecer o vínculo entre o Planalto e os movimentos populares, sobretudo em um contexto de reorganização política rumo a 2026.

“A gente sabe que as políticas que mudam pessoas não nascem só nos palácios e nos gabinetes. Elas nascem do povo, dos territórios populares. Elas nascem das ruas”, destacou o ministro.

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Ao final, agradeceu aos militantes que o acompanharam desde o início de sua trajetória: “São companheiros que não tiveram a oportunidade de sentar no banco de escola, mas me ensinaram muitas lições que eu não aprendi com nenhum professor da universidade. Me ensinaram o valor da solidariedade.”

A cerimônia de posse contou ainda com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, e de ministros de Estado, como Fernando Haddad (Fazenda) e de Gleisi Hoffman (Relações Institucionais), além de centenas de representantes de movimentos sociais.

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com agências

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