Estudo da ONU aponta para a expansão de megacidades
Avanço da concentração urbana exige políticas para reduzir desigualdades, promover sustentabilidade, mobilidade e integração
Publicado 26/11/2025 08:02
O mundo está passando por uma das mais profundas transformações demográficas da história. A revelação é do novo relatório Perspectivas da Urbanização Mundial 2025 das Nações Unidas. Segundo o levantamento, as cidades já concentram 45% da população global de 8,2 bilhões, superando largamente o cenário de 1950, quando apenas 20% da população vivia em centros urbanos. O estudo reflete como a urbanização se tornou o maior motor social do século XXI: acelerada, diversa e cada vez mais decisiva para os desafios de sustentabilidade, moradia e mobilidade.
Esse novo padrão mostra que cerca de 81% da população mundial já vive em em cidades. Um número muito acima das estimativas de métodos tradicionais (58%), alertando que o fenômeno urbano avança não apenas em grandes metrópoles, mas também em centros urbanos de tamanho médio e regiões periféricas antes classificadas apenas como rurais.
O relatório destaca ainda o aumento do número de megacidades. As aglomerações urbanas com população acima de dez milhões de habitantes saltaram de apenas oito em 1975 para trinta e três em 2025. Mais da metade delas (19) se concentram na Ásia, incluindo verdadeiras gigantes demográficas, como Jacarta (quase 42 milhões) e Dhaka (quase 37 milhões). No Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro marcam presença nesse seleto grupo, quando considerado o conceito internacional de aglomeração urbana.
Essas concentrações urbanas elevadas pressionam por infraestrutura, habitação, mobilidade, saneamento e serviços de saúde. O relatório alerta para o risco de agravamento da desigualdade social e do surgimento de extensas áreas de habitação precária, caso o crescimento não venha acompanhado de planejamento e políticas públicas robustas. Além disso, megacidades são polos decisivos de emissão de poluentes e exigem soluções inovadoras para o enfrentamento do aquecimento global e da crise ambiental.
Brasil e os desafios do planejamento territorial
O caso brasileiro ilustra perfeitamente esse avanço. O Brasil é apontado no relatório como um país altamente urbanizado, com destaque para as duas megacidades de referência global: São Paulo, pela medição da ONU com aproximadamente 18,95 milhões de habitantes e Rio de Janeiro, com 9,5 milhões.
O relatório da ONU utiliza o conceito de “aglomerado urbano” para agrupar a população das metrópoles, critério distinto do utilizado pelo IBGE, que contabiliza a soma dos habitantes por municípios nas respectivas regiões metropolitanas: 21,6 milhões e 12,9 milhões.
O levantamento aponta que a maioria dos centros urbanos mundiais tem menos de um milhão de habitantes e que 81% das cidades estão abaixo da marca de 250 mil moradores. Essas pequenas e médias cidades lideram o processo de expansão urbana em regiões da África, Ásia e América Latina, absorvendo, com agilidade, a migração interna e a pressão demográfica que antes recaía apenas nas metrópoles.
O estudo é um alerta de que, sem planejamento de integração territorial capaz de conectar áreas urbanas de diferentes portes às zonas rurais, aumentam os riscos de segregação social, vulnerabilidade ambiental e aprofundamento das desigualdades regionais.
Para o Brasil, o relatório indica a necessidade de investir em políticas públicas que descentralizem o desenvolvimento, valorizem os centros urbanos intermediários e assegurem cidades mais inclusivas, com melhor mobilidade e responsabilidade ambiental.